32 em cada mil gestantes tiveram sífilis em Rio Branco em 2016

Rio Branco é a terceira capital do país com a maior taxa de sífilis em gestantes, atrás apenas de Rio de Janeiro e Vitória. Em 2016, na capital acreana, para cada mil gestantes 32,4 tinham sífilis.

DHÁRCULES PINHEIRO/A TRIBUNA

Os dados são do Boletim Epidemiológico Sífilis 2017, divulgado na quarta-feira, 1, pelo Ministério da Saúde. Devido ao alto índice de infestação de gestantes, a capital receberá recursos para combater a doença.

Rio Branco faz parte do grupo das 100 cidades que concentram 60% dos casos de sífilis do país. Para reduzir os índices nestas cidades, o Ministério da Saúde por emenda parlamentar tem garantido R$ 200 milhões.

 No estado do Acre, foram identificados 531 casos de sífilis no ano de 2016, de acordo com o boletim do Ministério. Do total de casos identificados, a maior parte foi em gestantes, um total de 323, outros 66 casos foram em recém-nascidos e 142 na população em geral.

 Nelson Guedes, coordenador do setor de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Aids da Sesacre, informa que o número é ainda maior, mas muitas vezes não é informado pelos municípios.

No estado, dois recém-nascidos morreram vítimas da doença. A taxa do Acre é a segunda maior do país, 11,8 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, atrás somente do Rio de Janeiro (18,1).

Sífilis

 A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, mas que pode afetar crianças, a partir da infecção durante a gravidez, ou seja, a doença pode ser passada de mãe para o filho caso não haja tratamento.

A primeira etapa da doença envolve uma ferida indolor na genitália, no reto ou na boca. Após a cura da ferida inicial, a segunda fase é caracterizada por uma erupção cutânea. Depois, não há sintomas até a fase final, que pode ocorrer anos mais tarde. Essa fase final pode resultar em danos para cérebro, nervos, olhos ou coração.

Grávidas

A doença é mais identificada em grávidas, porque elas passam por exames periódicos durante o período de gestação, o que facilita a identificação da doença. A infecção em gravidas pode gerar abortos ou a morte do bebê. As crianças que sobrevivem podem ainda nascer com malformações cerebrais, alterações ósseas, cegueira e lábio leporino.

Tratamento

A sífilis é tratada gratuitamente nos postos de saúde, em geral, com a aplicação de doses de penicilina. As unidades de saúde também oferecem testes rápidos para a identificação da doença, o que facilita o início do tratamento. Além da pessoa infectada, os parceiros sexuais também devem ser tratados.

Natan Peres