BR-364 exige união para poder superar desafios existentes

Em fevereiro de 1960, o então presidente da República Juscelino Kubistchek decidiu, enfim, ligar a BR-364 de Cuiabá (MT) a Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC).

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A partir de 2011, após meio século, a rodovia ficou pela primeira vez, de inverno a verão, totalmente trafegável entre a capital acreana e Cruzeiro do Sul, a mais de 600 km, na região do Juruá. Decisões políticas foram importantes para sua conclusão e manutenção constante.

Entre 1999 e 2014, o governo do Acre foi o executor, em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), de toda a obra ligando os dois extremos do estado.

Nesse período, uma verdadeira epopéia foi realizada pela equipe do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e pelos gestores administrativos do Estado e representantes políticos, que precisavam buscar as mais diversas formas de financiamento para as obras.

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“O governo da Frente Popular precisou romper as dificuldades e os impasses burocráticos para pôr fim ao isolamento secular que o Acre vivia”, declarou o governador Tião Viana em agenda com o Ministério do Transporte em 2013, quando pontuava também a necessidade de manutenção frequente, tendo em vista que chove, por ano, cerca de 2.700 milímetros em seu percurso.

Atualmente, após a intensa crise política e econômica instaurada no país, a estrada está em condições de tráfego, porém muito aquém do que a população do estado deseja. Desde 2015, a responsabilidade por sua manutenção é do Dnit.

O órgão elaborou um projeto, e o governador Tião Viana, em conversa com o governo federal, conseguiu garantia pela então presidente Dilma Rousseff para liberação de R$ 230 milhões. Hoje, cinco equipes das empresas contratadas realizam a manutenção da rodovia.

Em entrevista ao programa Gente em Debate, da Rádio Difusora Acreana, na segunda-feira, 9, Thiago Caetano, supervisor do Dnit no Acre, afirma que já foram resolvidos, de dezembro até hoje, mais de 20 pontos de atoleiro jogando pedra. “Foram carregados mais de dois mil metros cúbicos de pedra em menos de um mês.”

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Projeto

A pedra é um dos pontos principais para o bom resultado de que a rodovia precisa. Mas o Acre não tem pedra! O projeto inicial, aprovado pelo Dnit nos anos 2000, previa a base de solo-cimento, inadequado para o tipo de solo que há no trecho.

O solo argiloso, encontrado no trajeto, é muito elástico, capaz de uma expansão e contração de 37% de seu volume, e precisou ser removido em enormes quantidades, chegando até sete metros de profundidade de escavação.

Atualmente, todos os contratos, desde as manutenções emergenciais realizadas em 2015 e o atual projeto de reforma completa da rodovia, prevem a base do solo de macadame hidráulico utilizando pedras, o que garante mais resistência ao pavimento em uma região que tem tantas precipitações de chuva. Essa opção se tornou possível, pois, após a conclusão de toda a base da rodovia, a logística de transporte de pedras vindas de Rondônia ficou viável.

Atenção para as obras

Os anos de trabalho sempre provocaram muita discussão nos meios políticos e na sociedade civil. Até mesmo muitas rodas de amigos já debateram o andamento da obra. Para Caetano, as questões do passado já estão superadas: “Estou no Dnit com a missão de resolver os problemas, e não de achar culpados”.

A respeito de possíveis irregularidades, diversos órgãos realizam investigações constantemente desde o início das obras. “Existe uma comissão em Brasília apurando possíveis erros. Também há os órgãos de controle, que buscam apurar qualquer tipo de irregularidades, fazendo o papel deles”, afirma o diretor.

Além do controle sobre as obras, é necessário haver o monitoramento constante sobre a administração dos recursos assegurados previamente.

O diretor-presidente do Deracre, Cristovam Moura, afirma que, apesar do lançamento das atuais intervenções na estrada no ano passado, em um evento em Cruzeiro do Sul, apenas uma parte ínfima está sendo aplicada.

“O governo federal está destinando cerca de R$ 4 milhões de investimentos para a BR-364, o que representa um risco enorme, pois se ela não estiver em manutenção e as chuvas continuarem, uma hora romperá o tráfego”, afirma o gestor.

O constante tráfego entre os dois extremos do Acre só foi possível, desde 2011, pelo forte empenho do governo do Estado. Até o fim de 2014 havia os convênios de delegação, e o Deracre fazia a conservação da BR-364.

Só de recursos próprios para esses serviços de conservação o governo gastava cerca de R$ 36 milhões por ano, fora o que ia buscar junto ao governo federal, num custo total de mais de R$ 1 bilhão, beneficiando um estado todo. “Espero que a parte política estenda a mão, pois o órgão precisa de ajuda para dar celeridade a nossos projetos e licitações”, reitera Caetano.