Eletrobras Acre deve ir a leilão em novembro

A privatização da Eletrobras Distribuição Acre não significa que a tarifa de energia vai aumentar. O diretor-presidente da estatal, Ricardo Xavier, relata que existe até a possibilidade de a tarifa de energia cair. A empresa deve ir a leilão em novembro, de acordo com cronograma do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Em entrevista na manhã de quinta-feira, 20, Ricardo disse que a estatal passa por um processo de avaliação, onde consultores contratados pelo BNDES estão fazendo um levantamento para apontar quanto a empresa vale. Após esse estudo, que deve ser finalizado em agosto, o Banco publicará o edital de privatização da Eletrobras.

A Eletrobras Distribui- ção Acre encerrou o ano de 2016 com o prejuízo de R$ 143.929.000, 22,1% menor que o de 2015, quando a empresa terminou com uma dívida de R$ 184.771.000. O prejuízo acumulado da Eletrobras no Acre passou a ser de R$ 749.161.000.

Devido aos constantes prejuízos acumulados pela empresa, Ricardo foi questionado sobre um possível aumento na conta de energia dos consumidores acreanos, após a privatização. Segundo ele, este fator não deve ser motivo de reajuste.

Ele explica que não é a tarifa que causa prejuízo, e sim os débitos anteriores da empresa que estão sendo pagos, e que não incidem na tarifa do consumidor. Muito da dívida da estatal está ligada a compra de óleo diesel para geração de energia para alguns municípios, o que ocorreu até novembro de 2016.

“Existia muita perda, muito prejuízo nessa operação do óleo, que era com relação ao reembolso, pagamento da BR, o que gerava um fluxo negativo de caixa”, relata Ricardo. Atualmente a empresa passou a comprar toda a energia fornecida no Acre. A tarifa tem como base o custo de energia e de operação. “Com a privatização você não tem mudança no custo de energia, porque isso já é regulado, e o custo da energia é o mesmo. Agora o custo da operação muda significativamente”, explica.

Para o diretor-presidente, a privatização da empresa pode reduzir os custos operacionais, pois agilizará diversos processos, devido ao fator de não necessitar realizar licitações e outros ritos de uma empresa estatal.

“É a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que regula a tarifa. Ela não vai dar uma tarifa diferenciada porque a empresa é privada ou pública. Pode haver mudança na tarifa para mais ou menos”, relata Ricardo.

Funcionários

Com relação aos funcioná- rios, Ricardo diz que não sabe o que vai acontecer. Mas, a opinião pessoal dele é de que não haverá um impacto grande. Hoje, a Eletrobras tem um quadro bem enxuto, e a média salarial não é alta, de acordo com o diretor-presidente.

“Algumas mudanças e adequações devem existir. Mas, não tem como a gente saber o que vai acontecer”, relata.

A privatização deve até mesmo gerar novas oportunidades na empresa, pois há vagas não ocupadas, devido a necessidade de concurso público, o que não é realizado por causa do processo de desestatização da empresa.

“Na minha opinião pessoal, não vai ter tanto impacto com demissões e essas coisas. Eu acredito que até abra mais oportunidades de emprego. Tem áreas na empresa que precisam de mais mão de obra especializada, mas para contratar precisaríamos realizar um concurso público, já a empresa privada pode contratar a pessoa na hora”, diz Ricardo.

Privatização

Os prejuízos e as dividas acumuladas pela Eletrobras em diversas distribuidoras do Norte e Nordeste, foram alguns dos que levaram os acionistas a votarem pela privatização de distribuidoras de energia em 6 estados.

As empresas serão privatizadas até o dia 31 de dezembro de 2017. A decisão foi tomada por acionistas da Eletrobras Holding em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) no ano passado, onde decidiram não renovar a concessão das seis distribuidoras no Norte e Nordeste do país.

O principal acionista da empresa, o governo federal decidiu não fazer um aporte de R$ 8 bilhões para sanear as companhias, que acumulam prejuízos há anos. Aporte que a Eletrobras havia estabelecido como condição para que as concessões fossem renovadas.

Na assembleia, foi decidido que as distribuidoras nos Estados de Piauí, Alagoas, Acre, Rondônia, Amazonas e na cidade de Boa Vista (Roraima) terão que ser privatizadas até 31 de dezembro de 2017.

Natan Peres