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Marina diz que defende saída de Temer da presidência

Terceira candidata mais votada na eleição presidencial de 2014, a ex-senadora Marina Silva (Rede) afirmou na terça-feira (18) que o presidente Michel Temer (PMDB), que é alvo de uma denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção passiva e tem meia dúzia de ministros encrencados com a Lava Jato,  não tem mais condições de governar o País, está sem credibilidade e sem legitimidade.

Foto: Márcio Silva

A declaração foi dada em Manaus durante entrevista coletiva com a imprensa. A ex-senadora veio à cidade para dar apoio à candidatura  do deputado estadual Luiz Castro (Rede) ao governo do Estado.

 “Há muito tempo defendo que a solução era a cassação da chapa e uma nova eleição. Em vez de ficar fazendo esses arremedos. A alternativa para salvar o País não é o Temer. Ele e a Dilma são irmãos siameses. Tentam juntos desmoralizar a operação Lava Jato. Agora, ficam  trocando emendas, trocando parlamentares da comissão”, disse Marina se referindo à articulação de Temer que resultou na derrota do parecer, na CCJ da Câmara, que pedia a aceitação da denúncia contra ele.

Em relação ao senador Aécio Neves (PSDB), que no segundo turno do pleito de 2014, recebeu o apoio dela, Marina ressaltou que o parlamentar  só não foi cassado porque o Conselho de Ética do Senado não considerou a denúncia contra ele.

“Nem o povo brasileiro e nem eu tinha conhecimento dos fatos trazidos pela Lava Jato. Não sabíamos que a própria Dilma tinha envolvimento com a JBS. Obviamente que hoje à luz dos fatos eu teria outro comportamento (sobre o apoio a Aécio). Os votos que tive em 2014 foram limpos. Tivemos uma fraude eleitoral, pois quem foi para o segundo turno foi baseado em esquemas fraudulentos”, disse a ex-senadora.

Ao ser questionada sobre as repercussões da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por corrupção a nove anos de prisão na corrida presidencial de 2014, Marina disse que cabe à Justiça decidir quem disputará a eleição.

“Temos um presidente atual que se reúne com um assessor que depois é pego com uma mala de dinheiro. E o Lula envolvido na Lava Jato. Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei. É isso que a Lava Jato está mostrando, quando coloca os empresários mais ricos na cadeia”, afirmou.

Questionada se a saída para a atual crise política seria a renúncia de Temer, a fundadora da Rede de Sustentabilidade disse que, assim como Dilma, o atual presidente tentará de todas as formas se manter no posto.

“Acho que foi em outubro do ano passado escrevi um artigo onde disse que a renúncia seria o melhor caminho. Mas essas pessoas estão tão aferradas  ao poder que não conseguem largar. Assim como os seus ministros. A presidente Dilma fez a mesma coisa”, disse.

Perguntada se disputará a presidência no ano que vem, ela respondeu: “Tenho muita responsabilidade com os mais de 20 milhões de eleitores que acreditaram em mim. Ainda não tenho nenhuma decisão, mas no momento certo iremos fazê-lo. Meu foco agora é eleger o governador.  O País está em crise, um ex-presidente foi condenado. Uma ex-presidente foi impeachmada. Temos um atual presidente que foi denunciado pelo MP e espero que o Congresso aceite essa denúncia. Espero que o Brasil esteja disposto a discutir ideias e não fique mais no campo da polarização”.

Ex-senadora reprova  as reformas

A ex-senadora Marina Silva criticou a forma como a reforma trabalhista proposta pelo governo Temer foi aprovada pelo Congresso. “Quando digo que esse governo não tem legitimidade, é também porque reformas são necessárias, mas não como essas. É a primeira vez que se tem reformas que mexem com todos os brasileiros. Dividir o horário de almoço do trabalho de uma hora para 30 minutos é uma incoerência e vai contra a saúde do trabalhador. Ele precisa disso até mesmo para a sua produtividade”, disse.

Marina também condenou  medidas como a que permite  grávidas trabalharem em locais insalubres e disse que a reforma da Previdência tem os mesmo vícios.

“Não se pode submeter a saúde de uma grávida, de uma criança a isso. Uma outra questão é a questão do trabalho intermitente onde você vai ter que ficar à disposição e isso pode levar a uma remuneração menor que o salário mínimo. Isso fere a Constituição. E a questão de fundo é que os acordos entre empregado e empregados serão maiores que a lei. Essa reforma tem problemas. Isso não significa que não seja necessária uma reforma. A  previdência tem os mesmos problemas. Esse governo não tem legitimidade, nem credibilidade para fazer essa reforma”, disse.

Candidatura se contrapõe a caciques

Durante a coletiva de imprensa, a fundadora da Rede Sustentabilidade pediu votos para o deputado Luiz Castro, que é candidato ao governo. Para ela, o  parlamentar é o nome certo para quebrar o ciclo de poder que governa o Estado há mais de 30 anos.

“Hoje estamos tendo a segunda chance e vamos abraçá-la com toda força. O Luiz é o nome certo para quebrarmos esse ciclo de poder, dessa política errada. Eu agradeço ao Luiz Castro pela coragem e ousadia. Estou hoje aqui por conta da candidatura do Luiz Castro, que é um deputado com um currículo invejável, tem histórico de luta pelas minorias, causas sociais. O João Tayah (candidato a vice-governador) está dando uma grande contribuição para iniciarmos essa mudança”, disse Marina.

Participaram da coletiva, além de Marina, Luiz Castro e João Tayah, o presidente estadual do PSOL, Pedrinha Lasmar e a porta voz da Rede, Camila Suzan. “É uma alegria muito grande receber a Marina aqui mais uma vez, que é alguém muito próxima dessa identidade do Amazonas. Agradeço à solidariedade dela a minha campanha, que é o início de uma grande mudança. Precisamos beber na fonte de quem tem ética e a Marina Silva é exemplar. Ela é uma guerreira”,  disse Castro. Com informações A Crítica