Dia das Crianças: mais de 130 mil vivem em situação de pobreza

Em 12 de outubro é comemorado o Dia das Crianças, no entanto, o que deveria ser um lembrete de curtir a infância e uma data de descontração e alegria para os pequenos, junto a família, é apenas mais um dia qualquer para mais de 130 mil crianças no Acre.

 De acordo com um levantamento realizado pela Fundação Abrinq, no ano de 2015, o Estado tem um percentual de 54% de crianças que vivem em situação de pobreza. O segundo maior da Região Norte. O estudo contabilizou mais de 130,8 mil crianças com idades entre 0 e 14 anos a viver nestas condições.

A Fundação Abrinq é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1990, e que tem como intuito promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes.

Ainda de acordo com o estudo realizado pela organização apesar do número ser alto, a pesquisa constatou a diminuição de 19,5% no número de crianças em situação de pobreza, se comparado ao quantitativo levantado em 2014, quando foi constatou que no Acre o total de crianças a viver nessa condição somava 162,4 mil.

 O Acre teve o segundo maior percentual da Região Norte em que crianças vivem em domicílios de baixa renda em 2015, último ano pesquisado. O Pará foi o local com a maior proporção, 56,8%, que em valores absolutos correspondem a mais de 1,2 milhão de crianças que vivem em situação de pobreza.

NFÂNCIA ROUBADA

No Brasil o trabalho é proibido para menores de 14 anos e, desta idade até os 15 anos, só é permitido na condição de aprendiz. Entre os 16 e 17 anos o trabalho é liberado, desde que não comprometa a atividade escolar e que não ocorra em condições insalubres e com jornada noturna.

O estudo ainda contabiliza que o Estado tem cerca de 17,3 mil crianças e adolescentes, na faixa etária de 7 a 17 anos – que são exploradas como mão de obra para trabalhos. Proporcionalmente, de acordo com a pesquisa, esses números correspondem a 5,9% em relação a todos da faixa etária no Acre.

 É importante frisar que além do trabalho infantil ser contra a lei e fazer com que as crianças percam seus direitos básicos de acesso à educação, lazer e esporte, geralmente os pequenos apresentam sérios problemas de saúde quanto são estimulados ou obrigados a trabalhar. Entre eles estão a fadiga excessiva, distúrbios do sono, irritabilidade, alergias e problemas respiratórios.

No caso de trabalhos que exigem esforço físico extremo, como carregar objetos pesados ou adotar posições antiergonômicas, podem prejudicar o seu crescimento, ocasionar lesões na coluna e produzir deformidades.

 Meninos e meninas coagidos a trabalhar em atividades que envolvem riscos físicos e psicológicos, podem sofrer impactos irreversíveis em suas vidas adultas, tanto fisicamente como emocionalmente.

Fany Dimytria