Casais homoafetivos perdem o medo e participam de casamento coletivo

Projeto da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE-AC) dá força para que casais homoafetivos se casem. A transexual Sandrinha da Silva, 42, e a lésbica Francielen Silva, 23, estão juntas a mais de dois anos, mas tinham receio de concretizar o casamento, por medo do preconceito, principalmente nos cartórios.

Francielen e Sandrinha

A partir do “Casar é Legal”, a defensoria realiza na segunda-feira, 4, o casamento coletivo de 14 casais gays. A cerimonia será realizada no Palácio do Comércio, na Avenida Ceará, em Rio Branco. As inscrições para participar do projeto ocorreram entre setembro e início de outubro.

No entanto, mesmo com o projeto as duas enfrentaram dificuldades no cartório. “Fomos a primeira vez e a moça disse que não sabia como proceder, e tivemos que voltar outras vezes”, relata Francielen. As pessoas no cartório ainda não sabem como proceder no caso de casamentos homoafetivos.

O casamento é importante para que os diretos dos casal sejam garantidos. Sandra relata que há diversos casos de casais que conviveram por anos, mas que ao fim não tiveram os direitos reconhecidos. “Uma colega conviveu por 12 anos com a esposa, que faleceu, e a família entrou na justiça e requereu todos os bens, e ela ficou sem nada”, relata Sandra.

A ideia de casar já existia, mas, devido ao preconceito, o casal não concretizou o sonho antes. O medo de transformar o momento de alegria em tristeza até fez as duas pensarem em viajar para casar no Caribe, mas o apoio da defensoria fez com que mudassem de ideia.

“Nós estamos criando uma vida juntas, e a oficialização dessa união para gente é muito importante. Ajuda a quebrar barreiras”, afirma Francielen.

O Casal

Sandra é funcionaria pública estadual e Francielen é estudante de física na Universidade Federal do Acre (Ufac). As duas se conheceram nos movimentos de esquerda e de causas LGBT, e depois ficaram amigas no Facebook.

Com a ideia da criação da Associação de Mulheres Homoafetivas do Acre elas  passara a se conhecer pessoalmente e fortaleceram a amizade.

Devido a problemas familiares, Francielen foi morar com Sandra em 2015, ainda como amiga, mas Sandra conta que já tinha sentimentos por ela. Após um mês morando juntas, o casal iniciou o romance.

Família

A família das duas aceitam o relacionamento, e vão participar da cerimônia na segunda-feira. Mas, nem sempre foi assim. Francielen conta que achava que a família não ia aceitar Sandra, mas se surpreendeu com a aceitação. “A minha mãe adora ela, diz ‘eu te amo para ela’. Minha família com relação a ela é bem tranquila”, relata a estudante.

 Já a família de Sandra nunca aceitou a orientação sexual dela, mas com a chegada de Francielen, as coisas começaram a mudar. Com pai militar e família evangélica, a funcionária pública relata que enfrentou muito preconceito da família, mas que, atualmente, abraçaram a relação dela com Francielen.

Casamentos homoafetivos

Este será o ano com mais casamentos gays no estado do Acre. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2013 a 2016 foram realizados 11 casamentos homoafetivos no estado.

Em 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução 175, que passou a garantir aos casais homoafetivos o direito de se casarem no civil. Com a resolução, tabeliães e juízes ficaram proibidos de se recusar a registrar a união.

Natan Peres