Balanço positivo, mas com entraves no primeiro mês de Gladson

O governador Gladson Cameli completou na quinta-feira o primeiro mês de seu mandato de quatro anos e o balanço da administração é positivo em amplos aspectos, embora turvado por disputas políticas que atingem seus pretensos aliados e por acontecimentos que fogem de sua alçada, como a crise na estrutura da segurança pública, reflexo ainda de disputas do governo anterior. Falta ainda uma estrutura de coordenação política e administrativa ao governo, que ainda mão fala a mesma língua em todos os setores.

Em um balanço sintético do governo, percebe-se a intenção do governador de impor uma agenda econômica forte, mas que sofre contenção por conta da difícil situação das contas do Estado. As medidas de Gladson para conter o déficit público foram ousadas, mas necessárias demonstrando o respeito às suas promessas de campanha e ao seu discurso de posse, quando não dourou a pílula ao falar das dificuldades que enfrentaria. Eis um resumo da ação do governo nesses primeiros 30 dias.

As finanças do Estado

Gladson encontrou o Estado com um forte déficit de caixa, que pode chegar a R$ 640 milhões em um ano. Grande parte desse déficit diz respeito às despesas com a Previdência, que consomem, hoje, cerca de R$ 40 milhões por mês da receita do Estado. O governador afirmou que não encontrou o mais de R$ 1 bilhão em caixa para investimentos anunciado pela gestão anterior e tomou medidas drásticas de contenção de despesas.

A reforma da estrutura do governo eliminou secretarias e cargos, o governo não nomeou em janeiro grande parte dos novos gestores, o que levou à redução da folha no primeiro mês para o patamar de R$ 207 milhões. Gladson cumpriu o prometido e pagou os salários no dia 30. A parcela referente ao 13º de mais de 15 mil servidores, não quitada pelo governo anterior, foi dividida em parcelas mensais que serão quitadas a partir de fevereiro.

O governador também decretou o contingenciamento de 15% das despesas em todas as secretarias,  sobre as receitas de fonte de arrecadação própria. Desta forma, diz que está garantido o cumprimento das obrigações legais com folha de pagamento dos servidores ativos, da Previdência, da amortização e juros, da Educação, Saúde, dos Poderes e com pagamento das dívidas.

Os repasses para poderes e instituições também foram restritos ao duodécimo aprovado no orçamento estadual, o que já forçou um movimento forte de adaptação em várias instituições como o Ministério Público e já anunciado para a Assembleia.

Administração

Na área da administração púbica, o governador assumiu com uma equipe reduzida, após unir e extinguir secretarias, empresas e autarquias. Só nos últimos dez dias do mês é que o governo começou a nomear com maior disposição os ocupantes do segundo e terceiro escalão. Se o secretariado, em sua maioria, seguiu normas técnicas para nomeação, os cargos de segundo escalão foram dominados por indicações políticas, de pessoas que participaram da campanha, parentes ou políticos da oposição sem mandato.

Por inúmeras vezes, o governador teve que lidar com protestos por nomeações feitas, em um processo de caça às bruxas, em busca de nomes ligados ao PT e a administrações passadas. Essas acusações visaram algumas áreas do governo, em especial, como a Secretaria da Educação. O governador, que no início do mês chegou a publicar mensagem em grupos de aplicativos dizendo que não permitiria essas nomeações, resolveu ignorar as críticas e tocar seu governo.

Um grave problema administrativo é o do aluguel de locais para a instalação de órgãos e setores, O governo anunciou que deve aproveitar as instalações do antigo Colégio Meta, a ser transformado em Museu, para alocar secretarias e setores da administração.

Política

O governo começou com duas derrotas políticas, nas eleições para a Superintendência do SEBRAE e para a Federação das Industrias. Preferiu não entrar em polêmicas, sabendo que os eleitos terão que conviver harmonicamente com a administração estadual Mas conseguiu no começo do segundo mês uma vitória expressiva, com a eleição da chapa que defendia para a mesa diretora da Assembleia Legislativa.

Na área política, Gladson teve que conviver com a briga interna e sem fim entre aliados, especialmente em Cruzeiro do Sul,  Sena Madureira e Brasileia. Em Sena Madureira, o prefeito Mazinho Serafim anunciou ruidosamente o rompimento e a adesão à oposição, levando junto sua esposa, a deputada estadual mais votada, Meire Serafim. Mesmo assim, o governador confirmou o desafeto de Mazinho, o deputado Gehrlen Diniz como seu líder na Assembleia. Em Cruzeiro do Sul, Gladson se equilibra entre as vertentes do ex-prefeito Vagner Sales e do atual prefeito, Ilderlei Cordeiro e tem conseguido manter, não sem esforço, o apoio de ambos a sua gestão.

Um ponto permanente de tensão é o MDB, dividido em várias correntes, inconciliáveis entre si. Com três deputado na Assembleia, o partido não chega a um consenso. Apesar de entregar pelo menos duas secretarias ao partido, o governo não consegue conciliar os diversos interesses.

Ainda assim, Gladson tem tranquilidade, com o apoio de pelo menos sete dos oito deputados federais, dos três senadores e de pelo menos 15 deputados estaduais.

O governador entrou em alguns debates com integrantes do governo passado, pelas redes sociais, mas desistiu de responder às provocações. Falta alguém no governo com a capacidade de polemizar com oposicionistas.

O Acre recebeu a primeira visita de um ministro do Governo Bolsonaro, o da Cidadania, Osmar Terra e comitiva, para a inauguração de um ginásio em Cruzeiro do Sul.

Produção

A área da produção foi um dos destaques do governo. A primeira vagem de Gladson foi a Rondônia, onde se reuniu com empresários e visitou um grande plantio de soja, convidando para o investimento no agronegócio do Acre.

O governo já começou contatos para atrair investimentos de grandes grupos, com Gladson reafirmando que nao haverá necessidade de desmate ou de ocupação de áreas indígenas. A ênfase no agronegócio deve prevalecer. Ainda na questão da produção, o governo começou a caça ao equipamento agrícola da antiga administração, que estaria escondido em grandes propriedades.

Educação

O governador Gladson anunciou em Cruzeiro do Sul a instalação de um novo Colégio Militar no Juruá em uma solenidade muito concorrida. Também anunciou as ações para o início do ano letivo, para a contratação de professores e o modelo dos novos uniformes, que serão implantados em 2020. Por outro lado recebeu críticas pela dificuldade na realização de matrículas na capital. A secretaria de Educação foi alvo de críticas políticas, mas foi prestigiada pelo governador.

Saúde

O governo determinou a retomada em ritmo acelerado de obras inacabadas no setor, como a da UPA de Cruzeiro do Sul. Um diagnóstico prévio mostrou distorções sérias nos pagamentos de vantagens ilegais a servidores e despesas extraordinárias. O governo regulamentou a distribuição de medicamentos e tenta normalizar o agendamento de consultas e procedimentos nos hospitais.

Segurança Pública

Ainda é um dos setores que mais preocupam o governo. Apesar de sucessivas ações policiais na capital e o interior, do aumento de prisões e flagrantes, a violência continua em alta no Estado, com a média de um homicídio por dia, no primeiro mês.  Sensação de insegurança persiste, mesmo com a promessa de solução em dez dias iniciais.

Para piorar, o governador enfrenta uma crise dentro da Polícia Civil, onde grupos de delegados abriram confronto pelas redes sociais. O secretario da polícia Civil teve que ser afastado depois de reportagem em jornais do sul do país o acusarem de ligações com facções criminosas, aprofundando a crise surgida no fim do governo anterior com a prisão do sub-comandante do Bope. As criticas e denúncias se tornaram públicas e no fim de semana a Justiça mandou investigar oficialmente o delegado afastado.