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Estímulo à construção civil resulta em impacto social positivo para o Estado

 

José Adriano*

Responsável por 22% do PIB da indústria nacional e pela ocupação de mais de sete milhões de pessoas no país, a construção civil pode ser considerada o motor da economia Nacional. A especial importância de suas atividades não está relacionada somente à geração de emprego e renda, mas também de atender às necessidades básicas da sociedade, como habitação.

Na prática, a melhora do cenário da construção civil tem impacto em diversos outros campos da atividade econômica. Os investimentos em obras impulsionam áreas importantes para o desenvolvimento urbano. A cadeia é gigante. A construção de mais moradias diminui o déficit habitacional, a ampliação do saneamento melhora as condições de saúde da população e a expansão da mobilidade urbana oferece praticidade ao cotidiano, trazendo qualidade de vida.

Além disso, à medida que as pessoas voltam aos seus postos de trabalho, as famílias recuperam sua capacidade de consumo, o que faz o comércio enxergar melhoras nas vendas, aumentando também a demanda da indústria. E o governo também ganha. Estima-se que a cada R$ 100 investidos na construção, cerca de R$ 25 voltam para os cofres públicos em forma de imposto.

Reproduzo aqui o que representa a expectativa de todo o setor da construção civil Brasil a fora, e no Acre não é diferente. Com mais de 1,7 mil empresas ativas em nosso Estado, sendo 70% só em Rio Branco, muitas agonizando desde 2014, o setor vive o seu pior momento no Estado.

A indefinição da continuidade de programas como o Minha Casa, Minha Vida e as quase cem obras paradas, incluindo Estado e municípios, nos dão uma noção do desânimo com o futuro destas empresas.

Diante desse cenário extremamente obscuro, faz-se necessário, com urgência, um aceno por parte do poder público, sobretudo nas esferas estadual e federal, que precisa deixar claro de que forma irá atuar, isto é, quais são suas estratégias e programas para auxiliar, no sentindo de que esse imprescindível segmento volte a respirar e gerar empregos.

Os empresários do setor, assim como os trabalhadores que estão desempregados e, consequentemente, sem condições de sustentar suas famílias, têm pressa. Aquele ditado popular que diz que o ano só começa depois do carnaval não funciona para quem anseia por produzir e obter sua fonte de renda de maneira digna.

Como sabemos, ao menor sintoma de melhoras, é na construção civil que aparecem os primeiros resultados positivos. É um ciclo virtuoso que, para ser retomado, precisa de investimento. A recuperação do nível de emprego dos trabalhadores nas obras é um dos principais fatores para que a economia volte a crescer. Investir em setores como educação, saúde e segurança é muito importante. Mas, sem o setor da construção civil aquecido, é o mesmo que enxugar gelo.

José Adriano é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC)