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Economista defende estratégias para o desenvolvimento do Acre

REPENSANDO O DESENVOLVIMENTO ACRIANO

 

 

 

Rubicleis Gomes da Silva

É doutor em economia com pós-doutorado em economia pela FGV No brilhante artigo

“É Hora de definir um novo modelo de Desenvolvimento do Acre” do professor Carlito Cavalcanti é defendida a tese que o atual governo deve elaborar um plano de desenvolvimento econômico para o Estado do Acre, pois o plano de governo em última instância é uma carta de intensão à sociedade sinalizando um conjunto de novas ideias propostas.

No período de 1999 a 2018 o Acre conviveu com duas ideologias de desenvolvimento econômico, não planos! A primeira colocada em prática por Jorge Viana e Binho Marques conhecido por “florestania” e a segunda “industrialização por decreto” conduzido por Tião Viana.

Duas características demarcam a similaridade entre estas ideologias de suposto desenvolvimento. A primeira está nos resultados. Muito embora tenham-se alcançado a melhoria em alguns indicadores socioeconômicos, o Acre não alcançou o tão sonhado desenvolvimento e a pobreza e a concentração de renda são as grandes caraterísticas de nossa economia. A segunda característica foi o estímulo a setores econômico que não desencadearam efeitos multiplicadores sobre à economia, consequentemente, causando pouco desenvolvimento.

O tão comemorado aumento do Produto Interno Bruto (PIB) estadual da ordem de 3% é em última instância comemorar o fracasso de nossas políticas de desenvolvimento, pois o Acre deveria crescer pelo menos a 5% a.a. para a economia absorver anualmente os jovens que entram no mercado de trabalho, reduzindo pobreza e concentração de renda.

Mas enfim, o que tem isto haver com o governo Gladson Camelli?

– Tem tudo haver!

Muito embora todos os ocupantes do palácio Rio Branco tenham boa intenção, a economia não vive de boas intenções. Ao longo de 8 anos o governo Tião Viana apostou no agronegócio, e deu errado! Mas por que deu errado? O que nos garante que esta nova tentativa dará certo?

Vários motivos explicam o fracasso da tentativa de industrialização e do agronegócio. Contudo, o grande motivo foi a falta de um plano de desenvolvimento econômico que elaborasse um verdadeiro diagnóstico da economia acriana.

Nos últimos vinte anos as políticas de desenvolvimento econômicas postas em práticas no Acre foram concebidas com base no “EU ACHO”. Eu acho que carne de bode vai dá certo! Eu acho que pimenta longa vai dá certo! Eu acho que a fábrica de camisinha vai dá certo! Eu acho que o frango vai dá certo! Enfim, eu acho que tudo que eu acho, vai dá certo! Mas o que aconteceu?

– Deu tudo errado!

Os governos nunca fizeram uma análise das reais possibilidades e estratégias que efetivamente conduzissem ao desenvolvimento. O governo elaborou suas ações negligenciando princípios básicos de economia. Por exemplo, a estrutura da economia acriana é desarticulada e os multiplicadores de impactos setoriais são todos inferior a 1, ou seja, para cada R$ 1,00 investido em um setor da economia causa impactos muitos inferiores a R$ 1,00 nos demais setores, isto indica que, se investirmos R$ 100 milhões em um setor, o impacto nos demais setores será inferior a R$ 100 milhões, e no caso do Acre, bem inferior. Isto significa que pegamos dinheiro emprestado, investimos na economia e não colhemos impactos significativos. Contudo, vamos ter que pagar esta conta, a conta do fracasso e negligência, e é uma conta cara, mais de R$ 5 bilhões de reais.

Não tenho dúvidas das boas intenções do atual governo e seus respectivos gestores. Mas volto a bater na velha tecla, não basta boa intenção e voluntarismo! É preciso compreender o processo de crescimento e desenvolvimento econômico.

Neste sentido, apostar no agronegócio merece um conjunto de reflexões, tais como:

– Quais atividades o Acre pode obter êxito no agronegócio?

– Qual a atual estrutura do mercado de fatores de produção das possíveis atividades a serem apoiadas?

– Qual o impacto que estas atividades vão ocasionar sobre o mercado de trabalho e renda?

– Como competir em um mercado globalizado e com alta escala de produção a partir de uma economia desestruturada?

– Como uma política agrícola institucionalizada impactaria sobre o agronegócio?

– Qual o papel das inovações tecnológicas sobre o desenvolvimento do agronegócio?

Enfim, não basta ter boas ideias e acreditar nelas, é preciso estudar, conhecer o problema, conversar com técnicos especializados, ou seja, é preciso ter um plano de desenvolvimento econômico debatido com agentes especialistas em cada área específica.

Boas ideias na maioria das vezes não se traduzem em políticas públicas de desenvolvimentos eficientes.

A realidade mais cedo ou mais tarde nos mostra nossos erros e acertos. Após vinte anos de “boas ideias” e lindas propagandas televisivas, vimos um Acre pobre, com alto nível de concentração de renda e um exército de desempregados!

Este governo não tem o direito de errar!