Coluna Bom Dia

Problemas

O governador Gladson Cameli tem pelo menos três grandes problemas em suas mãos para resolver esta semana, de forma urgente. Não se sabe se ele vai encarar esses abacaxis logo amanhã, segunda-feira ou se vai adiar um pouco a decisão para atender à convocação do presidente do Congresso, Rodrigo Maia, para uma reunião de governadores amanhã em Brasília.

Primeiro

O primeiro problema diz respeito ao parecer da Procuradoria Geral do Estado sobre as pensões de ex-governadores. De acordo com o documento, o último governador a ter direito certo foi Flaviano Melo, assim mesmo, por causa de três dias antes da data fatal. Depois dele, todos os demais ex-governadores e suas viúvas devem ter o direito cortado, se prevalecer esse entendimento.

Edmundo

Dessa lista de cortes fica de fora a família de Edmundo Pinto, que mantém o direito por ter sido morto em serviço do Estado. Mas seu sucessor, Romildo Magalhães, perde o direito.

Também

Claro que esse caso ainda vai dar panos para manga, tem que ser decidido pela Justiça, vai gerar processos e muita água vai rolar debaixo da ponte. Mas pelo menos, é um parâmetro a ser levado em conta.

Segundo

O segundo pepino será a questão da secretaria de Produção. O governador quer prestigiar o atual secretário Paulo Wadt, mas seu ex-padrinho político, o vice Major Rocha, junto com a deputada Mara Rocha, que avalizou a indicação, quer sua saída.

Fidelidade

Dizem as más línguas e as fofocas da administração que Paulo Wadt teria rompido politicamente com Rocha, por conta de algumas indicações em cargos e se aliado ao senador Petecão, o que teria desagradado o ex-padrinho. O caso virou um cabo de força entre forças aliadas do governo. Ontem, um interlocutor disse à coluna que o desfecho é imprevisível.

Terceiro

O terceiro e não menos grave problema está na Segurança Pública. Também indicado pelo vice-governador, o comandante da PM está balançando no cargo, por desagradar nas indicações e em algumas medidas, como na escala de militares.

Civil

Também nessa área há problemas na Polícia Civil, com alguns delegados temendo que o fim da secretaria especializada signifique contingenciamento hierárquico e de verbas.

No rádio

No programa de rádio, ontem, o vice Rocha, como governador em exercício, disse em alto e bom som que mesmo com o eventual fim da secretaria, a Polícia Civil manteria sua autonomia de ação e financeira. Ouvidos atentos gravaram essas palavras.

Descontentamento

Pelo menos três delegados romperam publicamente com o governo, por conta dessa confusão e a questão está longe de uma solução.

Outras

Outras áreas do governo estão necessitando de um freio de arrumação para acabar com fofocas e conversinhas nas redes e a intriga de baixo calão que corre solta na cidade.

Devolução

No programa de rádio, ontem, Rocha escancarou o que havia sido comunicado na reunião de secretários ao governador. Por má gestão de recursos de empréstimos, por falta de contrapartidas, nos governos anteriores, o Estado terá que desembolsar cerca de R$ 200 milhões em devoluções.

Detran

Outro ponto que causa perplexidade e que foi abordado nessa reunião de secretários foi a situação do Detran. O órgão estava um caos completo. Por exemplo, mantinha o aluguel de 57 veículos para seu trabalho. Hoje, aluga apenas 17 sem qualquer prejuízo para suas ações.

Sede

O Detran mantinha há anos uma sede em Cruzeiro do Sul alugada ao preço de R$ 40 mil por mês, sendo que o governo tem inúmeros prédios desocupados e desativados naquele município.

Advogado

Mas ainda mais assustador foi a revelação de que um advogado estava cedido ao Detran com salário de R$ 22 mil e ainda recebendo mais R$ 100 por cada multa analisada em sede de recurso.

Devolução

Este advogado moveu mundos e fundos para se manter nesse cargo nababesco, protestou quando foi devolvido a seu órgão de origem, ganhando talvez metade ou menos do que a fortuna que recebia. Esbravejou, mas perdeu a boquinha.

Absurdo

Há um crime contra a economia popular sendo cometido à luz do dia, sem que nenhuma ação seja tomada. Uma passagem aérea para Cruzeiro do Sul, ida e volta, está custando acima de R$ 3 mil! E há gente que acha isso normal. O aumento foi absurdo.

Isenção

E olha que essa situação acontece quando o Governo do Estado admitiu zerar o ICMS sobre o combustível de aviação, para facilitar os voos. O agradecimento foi esse. E ninguém toma medida nenhuma.

Isolamento

Ou seja, as companhias aéreas estão isolando a população do Vale do Juruá. Um absurdo, um caso de segurança nacional, mas no Brasil parece que está valendo tudo em nome de um livre mercado que só serve pata ferrar o cidadão.

Municípios

O que já estava ruim pode ficar ainda pior. O TCE recomendou o bloqueio de repasses e a decretação de inadimplência em pelo menos 12 municípios do Estado que não prestaram contas em 2018. Se isso se efetivar, a vaca vai mesmo para o brejo.

Limites

O jornal Valor Econômico publicou uma matéria estarrecedora. Diz que no Acre, cada servidor na ativa, com salário médio de R$ 3 mil, mantém praticamente um servidor aposentado ou inativo com o salário médio de R$ 4 mil. Por isso, cada cidadão acreano, de crianças a idosos, contribui per capita com R$ 357 por ano para pagar a folha de aposentados. Não há Estado que resista.

Repasses

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios mostra que o Acre teve os municípios que tiveram menos repasse de verbas federais nos últimos 18 anos. Na região Norte, os municípios mais beneficiados estavam em Roraima e Tocantins.

Política

O estudo aponta motivações políticas para isso. O Acre só esteve melhor nos repasses durante o governo Lula, mas caiu com Dilma e Temer. A CNM mostra que os repasses aumentam na véspera de anos eleitorais.

Lá e cá

Em Roraima e Tocantins, os governos tinham interesses políticos e caciques bem articulados. O que fez a classe política acreana nesse tempo todo? De todos os partidos?

Caiu

A ex-deputada Tia Eron, que estava nomeada para a secretaria nacional de Mulheres e esteve no Acre com a ministra Damares foi demitida ontem. Entrou em choque com a ministra. Ambas são lideranças evangélicas.

Concurso

O professor Mauro Cruz, secretário da Educação, anunciou que a contratação dos professores aprovados no concurso efetivo da secretaria deve acontecer nos meses de junho e julho e eles devem estar nas salas de aula no início do segundo semestre.

Adiamento

A contratação só não acontece antes porque um grupo de candidatos entrou na Justiça questionando critérios e é necessário resolver esse problema antes. Mas o secretário anunciou que a contratação será efetivada ainda neste semestre.

O que faz

A coluna perguntou qual o papel da Fieac no Estado e logo surgiu outro questionamento importante. O que faz o Sistema S no estado, além de servir de um cabide de empregos?

Investigação

Em todo o país, o Sistema S está sob escrutínio e no Acre não pode ser diferente. Há muito a ser investigado e explicado.

Decisões

O governador Gladson Cameli chega hoje a Rio Branco e na segunda-feira terá uma agenda pra lá de cheia de problemas para resolver. É possível, inclusive, que alguns já comecem a ser resolvidos hoje mesmo.

Fogo

A verdade é que Cameli tem vivido sob um duro fogo cruzado desde que assumiu o Governo do Estado no dia primeiro de janeiro, sem qualquer previsão de que as coisas se acalmem nas próximas semanas.

Produção

Não se espere que a questão da produção esteja resolvida só com a afirmação de que Paulo Wadt não será demitido. Cameli disse a mesma coisa a respeito de Raphael Bastos e foi só uma questão de tempo.

Reunião

Aliás, sobre a agora antiga confusão da demissão de Raphael Bastos, Cameli se reúne nesta segunda-feira com o deputado federal Alan Rick para tratar do assunto.ão

Será a primeira conversa entre o governador e o presente do Democratas desde que Bastos foi demitido por portaria no DO e informações prévias em sites locais.

Caminho

É muito pouco provável que o Democratas deixe a base do governo. Além de Alan Rick, o deputado estadual Antônio Pedro também não tem qualquer interesse em deixar a base, pois tem muitos cargos envolvidos.

Segurança

Mas problema mesmo Cameli vai enfrentar na área de segurança, com de poder entre o secretário de segurança e o comandante da PM, coronel Mário César, e que envolve diretamente o vice-governador Major Rocha.

Segurança II

Mário César já disse que não pede demissão e muito menos baixa a guarda para o vice-governador. E o vice já disse que se o comandante da PM não sair, ele lava as mãos na questão da segurança.

Difícil

Enquanto os comandos das polícias brigam a população segue vivendo dias de caos e completa insegurança nos bairros da capital e das cidades do interior.