Contra nova Previdência, cidades registram protestos e greve geral

Trabalhadores de várias cidades do país entraram em greve nesta sexta-feira (14/06/2019) para protestar, principalmente, contra a reforma da Previdência, que tramita no Congresso e tem a expectativa de ser aprovada ainda no primeiro semestre desta ano.

Foto: Guilherme Barbosa/Rede Amazônica Acre

De acordo com levantamento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), as 27 unidades Federativas têm atos previstos para esta sexta. Algumas cidades já registram a ação de manifestantes nas ruas, inclusive com início de conflito com policiais.

Esta é a primeira greve organizada contra a gestão do governo Bolsonaro (PSL). Entretanto, em outros dois momentos, manifestantes foram às ruas protestar contra o contingenciamento de verbas na Educação.

Confira:

Distrito Federal
A greve geral paralisa alguns serviços essenciais no Distrito Federal. O ato convocado como forma de protesto contra a reforma da Previdênciarecebeu uma série de liminares expedidas pela Justiça, determinando a manutenção integral ou parcial dos serviços. No entanto, algumas categorias não vão cumprir as decisões.

Os rodoviários decidiram parar e não cumprem a liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de manter toda a frota em funcionamento. A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por empresa afetada.

Com uma greve que já dura 46 dias, os metroviários decidiram manter o esquema em vigor nas últimas semanas: 75% do efetivo nos horários de pico e 30% nas demais horas do dia.

As escolas públicas não funcionarão e os professores decidiram fazer uma assembleia nesta sexta-feira. Além de apoiarem o movimento nacional, eles vão à Praça do Buriti nesta manhã pedir reajuste salarial e o cumprimento da meta 17 do Plano Distrital de Educação.

A Secretaria de Educação informou, por meio de nota, que as aulas não ministradas durante a paralisação deverão ser repostas em datas a serem definidas pelas direções das escolas, ainda no segundo bimestre.

Acre

Os protestos contra a reforma da Previdência e os cortes nas universidades iniciaram em Rio Branco nas primeiras horas desta sexta-feira (14).

Um grupo de estudantes e sindicalistas, liderados pelo Sindicato dos Bancários do Acre (Seeb-AC), fechou um trecho da BR-364, impedindo a passagem dos coletivos nas primeiras horas do dia e também de mercadorias.

O ato se concentrou em frente a uma das garagens de ônibus de Rio Branco. Com cartazes de: “não é reforma, é o fim da sua aposentadoria” e queimando pneus no bloqueio, o grupo fechou a rodovia por cerca de duas horas, sendo que ela foi liberada às 7h [horário do Acre].

São Paulo
A Justiça concedeu liminar que obriga o funcionamento dos transportes. Agora pela manhã, os ônibus circulam com 97% da frota, segundo a SPTrans. A CPTM opera normalmente e o Metrô tem circulação parcial em algumas linhas.

Na capital paulista, algumas linhas do metrô tinham operação parcial por volta de 6h. No entanto, ônibus e trens circulavam normalmente.

A Prefeitura de São Paulo manteve o rodízio de carros, assim como as restrições a veículos fretados e às zonas azuis, e informou que a situação do trânsito será monitorada durante todo o dia.

Na Radial Leste, manifestantes do Povo Sem Medo e do Movimento do Trabalhador Sem Terra (MTST) bloquearam parte da via. Em outro ponto, os manifestantes negociaram com a Polícia Militar e liberaram o fluxo pelo minhocão. Agora seguem por baixo, na Avenida General Olímpio de Silvera, sentido Consolação.

Em Guarulhos, bloqueio começa na rodovia Hélio Smidt. Agentes da Polícia Rodoviária Federal usaram spray de pimenta contra os manifestantes.

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Minas Gerais
O metrô de Belo Horizonte não funciona na manhã desta sexta, dia da greve geral anunciada em todo o país por sindicatos e associações da sociedade civil organizada contra a reforma da Previdência. Os ônibus circulam normalmente.

Funcionários da Refinaria Gabriel Passos em Betim, na Grande Belo Horizonte, fizeram manifestação na BR-381, nos dois sentidos da estrada, alternadamente. Manifestantes do Povo Sem Medo e do MTST também bloquearam a BR-050, na cidade de Uberlândia.

Rio de Janeiro
No rio, o transporte público, incluindo ônibus, trens e metrôs, funcionava normalmente no início da manhã. No entanto, alguns pontos do estado registraram protestos.

Na capital fluminense, manifestantes reclamam da repressão feita pela tropa de choque, que utiliza bombas de gás para contenção dos atos. “O que é isso cara? Este é o treinamento que você teve?”, reclama um manifestante ao policial, em vídeo gravado na manhã desta sexta. Em seguida, o câmera garante que o ato é pacífico e que a polícia “está jogando granada nas pessoas”.

Em Campo dos Goytacazes, movimentos sociais e trabalhadores sindicais cortam a BR 101. Eles aproveitam o movimento para pedir a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vídeo incorporado

Rio Grande do Sul
A greve geral que teve início nas primeiras horas da madrugada desta sexta foi marcada com protestos e bloqueios em frente às garagens de ônibus de Porto Alegre e cidades da região metropolitana, Vale dos Sinos e região da Serra.

Policiais Militares usaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes que revidaram com pedras. Na ação, alguns PMs ficaram feridos e mais de 50 pessoas foram detidas em razão dos transtornos causados.

Por volta das 6h45, na zona leste da capital gaúcha, manifestantes realizaram barricadas com queima de pneus na avenida Bento Gonçalves (sentido bairro-centro), o que prejudicou o trânsito no local.

Sergipe
Na capital sergipana, manifestantes bloquearam a Avenida Marechal Rondon, na madrugada desta sexta. Eles carregam uma faixa preta com o anunciado da greve geral.

Paraná
Algumas empresas de transporte coletivo amanheceram fechadas. Em Ponta Grossa, cidade paranaense, manifestantes queimaram pneus em frente às garagens de ônibus, como forma de protestar.

Informações Metrópoles