BC elevará mais os juros; previsões para fim do ano 14,5%

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O recado do Banco Central na ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta quinta-feira (11) é, segundo o governo, muito claro e direto: “Enquanto a projeção de inflação para o final de 2016 não estiver no centro da meta, de 4,5%, o banco não vai parar de subir a taxa de juros”.

Na visão do mercado, isso significa que na próxima reunião do Copom, no final de julho, a taxa Selic deverá subir mais 0,50 ponto percentual, passando dos atuais 13,75% para 14,25% ao ano.

Para assessores presidenciais, a “ata está do tamanho certo”, mostrando que, apesar dos avanços alcançados no combate à inflação, o BC avalia que “ainda está caminhando no processo de colocar a política monetária na posição correta” para fazer a inflação cair para o centro da meta em dezembro de 2016.

Em outras palavras, segundo assessores presidenciais, a equipe de Alexandre Tombini “ainda não chegou” a seu objetivo e continuará subindo os juros até atingi-lo.

A inflação embutida nos títulos do governo corrigidos pelo IPCA também mostra que os participantes do mercado financeiro não se convenceram de que a inflação cairá no próximo ano.

A divulgação da ata e o IPCA acima do esperado em maio levaram o Itaú-Unibanco a revisar suas projeções para a taxa Selic. Em vez da manutenção dos atuais 13,75% até o fim do ano, prevê uma nova alta de 0,50 ponto percentual em julho e manutenção da taxa em 14,25% até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2016.

Para o Banco Fator, haverá ainda um último aumento de 0,25% na reunião de setembro, para 14,50%.

As taxas de juros negociadas no mercado indicam que parte dos agentes aposta em Selic acima desse patamar no final deste ano.

PERSERVERANÇA

O documento divulgado nesta quinta, explicando os motivos de o BC ter subido os juros na semana passada de 13,25% para 13,75%, traz como novidades as expressões “determinação e perseverança” para justificar a sinalização de que o ciclo de alta de juros não chegou ao fim.

As palavras já haviam aparecido em discurso feito por Tombini na Câmara no mês passado, mas ganharam peso ao serem colocadas na ata.

O BC indica que sua preocupação, hoje, é com os repasses dos últimos choques de preços –no câmbio e nas tarifas– para a economia.

“Esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, necessitando determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos”, diz o BC na ata.

Uma das principais preocupações da instituição é conseguir domar as expectativas de inflação. Nos últimos 30 dias, a projeção do mercado para o IPCA de 2016 caiu de 5,6% para 5,5%, recuo que o BC considera insuficiente. Para os dois anos seguintes, estava em 5% e caiu para 4,8% e 4,7%.

Fonte: Folha