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Corinthians tem data para sair do buraco: fevereiro de 2016

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O Corinthians começou 2015 em uma forte crise financeira. Aos poucos, o time que era o principal candidato ao título do Paulista e da Libertadores foi degringolando, graças também aos salários atrasados fora de campo. Mas, seis meses após a nova gestão assumir, o clube – que chegou a dívida superior a R$ 30 milhões com atletas e empresários – já percebe ligeira melhora. E tem até data para começar a “deixar o buraco”.

Em conversa nesta terça-feira, o diretor financeiro Emerson Piovesan avisou que a expectativa é que o clube comece a sair do delicado momento econômico no mês de fevereiro do ano que vem, após o pagamento de diversas contas previstas para o fim da atual temporada e princípio da próxima.

Sem receita de bilheteria de estádio, já que as milionárias cifras arrecadadas em itaquera vão para um fundo que vai pagar a arena, além de afetado pelos pagamentos de impostos atrasados na gestão Andrés Sanchez – e uma parte na de Mario Gobbi -, o Corinthians luta para voltar a respirar aliviado com dinheiro em caixa.

O clube ainda possui direitos de imagem atrasados com o elenco, mas não pretende mais vender jogadores para sair da crise e espera conquistar alguns acordos. O marketing é outro fator que tem ajudado, com a obtenção de novos patrocínios. Sem contar, claro, as loucuras que deixaram de ser feitas. Como a renovação de Guerrero, que queria R$ 18 milhões de luvas.

No balanço de 2014, a receita do Corinthians caiu 19% em relação ao ano anterior, enquanto endividamento e déficit operacional chegaram a R$ 21 milhões no futebol. As dívidas com fornecedores ultrapassaram os R$ 57 milhões. Já os lucros com bilheteria despencaram de R$ 32 milhões em 2013 para R$ 7 milhões na temporada seguinte, uma vez que a verba do novo estádio vai para o fundo.

Confira, a seguir, bate-papo com o diretor financeiro Emerson Piovesan:

Após seis meses da nova gestão, como está a situação econômica do Corinthians?
Emerson Piovesan – Na verdade, o que fizemos foi que começamos um processo rigoroso de controle de custos, centralizamos despesas, fizemos uma série de ações em busca de um controle maior e uma redução de custos e despesas. Isso passou por todos os departamentos, inclusive o futebol, e nessa linha conseguimos organizar, disciplinar alguns custos e hoje temos situação mais controlada e melhor.

Então, a situação financeira melhorou?
Emerson Piovesan – Nós fizemos algumas ações. Mas o que ainda não temos é uma redução sensível e isso é porque ainda sofremos o que chamo de reflexo de toda ação que você faz. Por exemplo, tem a saída de uma pessoa e devemos pagar encargos, e isso ainda tem reflexo nas contas, mas acreditamos que para o segundo semestre já tenhamos isso diluído e possamos ter o retorno esperado em nível de redução. Trabalhamos fortemente em outras formas de receita, estamos buscando novas receitas em conjunto com nossa diretoria de marketing. Conseguimos alguns acordos, como a omoplata da camisa, conseguimos o calção, isso tudo são receitas que entraram versus o que tem que sair para pagar as contas.

Pode citar o que se encaixa nessa redução sensível?
Emerson Piovesan – A gente tinha alguns custos relativos a várias aquisições, como prestadores de serviços, aí revisamos os contratos, centralizamos contas com centro de custos e isso tudo disciplina os gastos.

Novas lanchonetes da Arena não se encaixam em novas formas de receita?
Emerson Piovesan – Isso vai direto ao fundo da arena. Tudo o que é relacionado ao fundo é do fundo de investimento. Venda de espaços, camarote, vai tudo diretamente ao fundo.

Qual a previsão para que o Corinthians possa respirar melhor financeiramente?
Emerson Piovesan – Imagino que para o ano que vem. Esse ano ainda temos um ano difícil até o final, e vamos ter até fevereiro particularmente que é uma data chave. Por que chave? Pois temos uma série de pagamentos entre dezembro e janeiro, e isso tudo nós fazemos um planejamento financeiro para chegar no fim do ano e ter todo a nossa disponibilidade financeira para honrar compromissos que são altos em dezembro e considerar folha salarial, 13º, férias, e isso tudo tem um volume financeiro grande. Nos preparamos para isso com todas as medidas tomadas para que em dezembro possamos ter isso tudo de uma forma organizada e que honre nossos compromissos.

Em março, a dívida era superior a R$ 30 milhões com elenco e empresários. E hoje?
Emerson Piovesan – A gente conseguiu reduzir esses números. Não reduziu tudo, mas conseguimos trabalhar de alguma forma em manter entendimento com todos os nossos passivos. Isso nós temos conversado, temos liberado alguns recursos na medida que temos disponibilidade. Temos alguns direitos de imagem pendentes, menores do que tínhamos há seis meses, mas ainda existem alguns, a gente já tem a situação mais controlável. Venho negociando operações financeiras que não consigo viabilizar, mas tenho a expectativa grande de que, sem dar data, mas tenho expectativa forte de que em breve teremos uma solução para tudo, em função de algumas coisas que negociamos. Só que não faço loucura na busca por dinheiro no mercado.

Vocês ainda contam com vendas de jogadores para o orçamento fechar?
Emerson Piovesan – Não contamos, como foi feito na gestão passada, com esse tipo de recurso. Estamos contando com recursos certos e definidos, e que são que temos os direitos creditórios, como direitos de imagem, venda de espaços nas camisas, esse tipo de coisa e outras coisas, como licenciamento, uma série de coisas. Em nossas contas não passam venda de jogadores, pois isso é uma coisa instável, não tem a certeza que precisa para viabilizar. Não trabalho com nenhuma expectativa. o regime atual é de caixa. Não trabalhamos com vendas, a mudança desde o início da gestão do Roberto é que só iríamos assumir qualquer compromisso se tivéssemos certeza do recebimento. Ou seja, só faço se tenho dinheiro em caixa, e isso tem disciplinado nossos gastos. ‘Tem que comprar tal coisa, não tem dinheiro? Aguenta e vamos resolver’. Claro que tem coisas imprescindíveis, que não pode deixar de adquirir, mas tem coisas que pedem e aí ‘olha, não vamos fazer’.

O Guerrero se encaixa nessa política?
Emerson Piovesan – O Guerrero entra nisso, sim. É uma realidade confirmada. O Guerrero nós não queríamos perder, fizemos contraproposta, era o que poderíamos pagar. Não aceitou, paciência. Foi feita uma proposta, ele sabe disso. E isso aí é a mesma coisa com o Emerson Sheik. Não tínhamos como manter aquele nível de remuneração que tinha antes, então se chegou em um comum acordo.

O que já foi feito para melhorar o fluxo de caixa?
Emerson Piovesan – Estamos desde o início da gestão buscando alternativas viáveis ao clube a nível de operação financeira, com empréstimos, fundos de investimentos. Até o momento não viabilizamos nada, pois nenhuma delas foi de interesse do Corinthians, não poderíamos fazer coisas dessa forma. Não vou arrumar um problema maior. Vamos trabalhar com os pés no chão. Tendo dinheiro, fazemos. Não tendo, renegociamos e disciplinamos o custo.

O Corinthians vai manter a postura sem loucuras até o fim?
Emerson Piovesan – Olha, vai chegar em um extremo que eu vou precisar e vamos buscar recursos, mas por enquanto temos conseguido manter um certo controle. Diria para vc que até o final do ano eu não posso afirmar que me mantenho dessa forma pois posso precisar, mas sempre com os pés no chão.

Fonte: ESPN