Dilma diz à imprensa estrangeira que acredita em sua defesa

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O processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência evidencia graves problemas sistêmicos na política brasileira, segundo avaliações publicadas em editoriais na imprensa internacional.

A mudança de governo do Brasil foi tema de artigos de opinião em algumas das principais publicações da mídia estrangeira nesta sexta-feira (13). O tom geral vai além de tratar do impeachment em si e da mudança do governo no Brasil, e indica o fracasso do modelo político do país, que precisa pensar em reformas com urgência.

Este tom crítico vem sendo frequente nos textos de opinião dos jornais internacionais desde o ano passado. Depois de protestos contra o governo de Dilma nas ruas de várias cidades pelo país, publicações como o jornal britânico “The Guardian” e o norte-americano “The New York Times” criticavam a ideia de impeachment como sendo o caminho para uma ampliação da crise no Brasil. Com o tempo, os jornais estrangeiros passaram a ver como mais provável a possibilidade de afastamento da presidente, mas sempre indicando que não seria o melhor caminho para buscar a estabilidade da política brasileira. Mesmo depois da votação do impeachment na Câmara, os jornais criticaram a processo, mas não chegaram a aceitar a tese de que ele seria o mesmo que um golpe de Estado.

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Nos editoriais publicados após o afastamento de Dilma há a crítica ao processo do impeachment, e indicações de que o governo do presidente interino, Michel Temer também vai ser marcado por graves crises e dificuldades. Os principais editoriais continuam sem incorporar o discurso do PT de que o processo é equivalente a um golpe, entretanto.

Além de fortes críticas ao sistema político, é comum na opinião das publicações internacionais a defesa de que novas eleições poderiam ser o melhor caminho para o Brasil sair da atual crise.

DISFUNCIONAL

Esta crítica está no título do texto com a opinião do “Guardian”: O sistema político deveria estar sendo julgado, não uma mulher”, diz. “O Brasil se colocou em uma terrível confusão, e é difícil ver como vai sair dela”, explica o jornal. “O que está claro é que não foi apenas a sua carreira [de Dilma] que desabou, mas o sistema democrático do Brasil como um todo”, complementa.

Segundo o “Guardian”, o modelo político brasileiro fracassou e se tornou disfuncional a ponto de a corrupção ser inescapável e um bom governo é constantemente impedido.

A crítica ao sistema político do Brasil também é tema do jornal de economia “Financial Times”. O editorial publicado nesta sexta (13) explica que o Brasil enfrenta três grandes crises: econômica, ética e política. E diz que o novo governo do Brasil, apesar das controvérsias, pode ajudar o país a superar os dois primeiros.

“Temer não é um salvador nacional, mas ele pode estabilizar o país”, diz o jornal. Segundo o “FT”, o presidente interino montou uma boa equipe econômica, que pode reanimar o mercado e ajudar a melhorar a situação do país. Além disso, cabe a Temer não atrapalhar a continuação da Operação Lava Jato. O problema que vai continuar é o do “arranjo político que faz com que o Brasil seja uma das mais fragmentadas e pesadas democracias presidenciais no planeta”.

Em um mundo ideal, continua o editorial, o Brasil lidaria com as três crises em novas eleições, mas isso exigiria uma reforma eleitoral “altamente improvável na situação política polarizada de hoje”, diz, citando críticas ao processo que afastou Dilma Rousseff da Presidência. “O resultado está longe da perfeição. Ainda assim, é o que é”, diz.

Além do editorial, o “FT” publica uma reportagem em que diz que a derrocada da esquerda no Brasil deve reverberar por todo o continente.

O francês “Le Monde” diz que Dilma foi retirada do poder de forma brutal após manobras que não honram o conjunto da classe política brasileira, já bastante desacreditada.

“Na verdade, o triste caso e a última manifestação de um enorme mal-estar provocado por um mundo político amplamente corrompido, tanto à direita quanto à esquerda”, diz o jornal. “Sem dúvida seria melhor ter novas eleições”, completa.

PREÇO ALTO

O jornal norte-americano “The New York Times” também criticou o sistema político do Brasil e disse em seu editorial que a presidente afastada, Dilma Rousseff, pode “pagar um preço desproporcionalmente grande por irregularidades administrativas enquanto vários de seus detratores mais ardentes são acusados de crimes mais escandalosos”.

O argumento de que o governo sofre um golpe “é discutível”, diz, que as chamadas pedaladas fiscais de que Dilma é acusada foram cometidas por outros governantes sem que eles tenham sofrido o mesmo escrutínio.

“Muitos suspeitam, porém, que os esforços para remover Dilma têm mais a ver com a decisão dela de permitir que procuradores sigam adiante com investigação de esquema na Petrobras”, diz o texto.

O “NYT” se posicionou pela realização de novas eleições caso a presidente perca definitivamente seu mandato após julgamento a ser feito pelo Senado.

Além do editorial, uma reportagem publicada no mesmo jornal indica que a mudança de governo representa uma guinada à direita da política brasileira. Com informações do noticiaaominuto