ÚLTIMAS NOTÍCIAS >>

Quero Ler retrata a mudança em jovens e adultos alfabetizados

“Sou a mulher que cortou seringa. Sou a mulher que criou 10 filhos da produção da borracha. Eu sou mulher guerreira. Eu sou Sebastiana da Silva.” As palavras da carta de Sebastiana eram uma das que se destacavam no salão de entrada do Teatro Plácido de Castro (Teatrão) na noite desta segunda-feira, 26, onde se celebrou o encerramento da primeira Jornada do Quero Ler. Uma festa especial que reuniu jovens e adultos, alunos do programa de alfabetização que pretende erradicar o analfabetismo no Acre até 2018.

 secom_acre_sv_2016-26-3-580x307

O teatro ficou completamente tomado. Ainda assim, não chegou perto da dimensão do Quero Ler. Em todo o Estado, já são 921 turmas, das quais 493 na zona urbana e outras 428 na zona rural, totalizando 10.450 alunos, sendo 6.140 na cidade e outros 4.310 espalhados em diversas comunidades. Até junho de 2018, a expectativa é de que ele chegue a 60 mil pessoas.

O governador Tião Viana, criador do programa, não escondeu em momento nenhum o orgulho por ver os resultados. “Esta turma já está aprendendo a mandar uma mensagem para os amigos, um familiar. Eles já não perguntam mais qual o ônibus que têm de pegar, já leem o nome nas ruas, dos comércios, já estão assinando seus documentos. Isso traz a esperança de um mundo de luz que se abre para essas pessoas. Estou muito feliz, e até 2018 o Acre será o primeiro estado do país a eliminar o analfabetismo.”

A Jornada do Quero Ler foi um evento à parte das aulas, que têm duração de quase oito meses. Realizada de 19 a 26 deste mês, ela se encerrou nesta noite, com apresentações de dança, do coral da Assembleia Legislativa do Acre, rituais indígenas e uma aula motivacional do jornalista Marcos Afonso.

Para o secretário de Estado de Educação e Esporte, Marco Brandão, o programa é resultado da preocupação de um governo que não está apenas preocupado com a educação de suas crianças, mas de seus adultos também. “Não podíamos deixar de atender as duas pontas que temos – as crianças que precisam ser alfabetizadas e os adultos que não tinham acesso às letras. Construímos juntos um Acre em que todos têm acesso à escrita.”

14409421_1095309317204878_6136775858879182757_o-580x580

Um antes e depois

No palco do Teatrão, junto ao governador Tião Viana, três concludentes do curso de alfabetização assinaram certificados que comprovavam seus estudos e que agora poderiam tirar novos documentos de identidade, dessa vez assinando seus nomes em vez de usar o polegar.

Já na plateia, centenas de adultos, a maioria acima dos 35 anos, chegava à metade do curso e falava sobre seus sonhos e momentos de superação. Como Antônio Soares de Oliveira, 64 anos, que, mesmo assumindo as dificuldades de aprender a ler, não pensa de jeito nenhum em desistir.

“Estou aprendendo uma coisa que eu não tinha conhecimento. Está difícil montar as letras ainda. Mas uma pessoa com 60 e poucos anos, analfabeta, não aprende do mesmo jeito que uma criança de seis. Quero fazer uma carta, tirar meus documentos e um dia tirar minha habilitação”, revela Oliveira.

Já para a tímida Edna Viana, de 55 anos, a oportunidade que não veio na infância tem feito a diferença. “Eu já aprendi muito. As coisas que eu vi aqui hoje incentivam demais a gente a não desanimar, a ter forças e vencer para chegarmos lá. Quando eu era criança, tudo era muito difícil. Meus pais também não estudaram, e não tínhamos condição na época. Eu fico feliz de voltar para uma sala de aula.”