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Coluna Acre em Foco

Impeachment de Temer

Já está decidido. Os deputados e senadores da oposição vão apresentar na próxima semana o pedido de abertura do processo de impeachment do presidente Michel Temer por ter praticado crime de responsabilidade ao pressionar seu então ministro da Cultura, Marcelo Calero, a cometer ato de improbidade administrativa, conforme garante o ex-ministro em depoimento à Polícia Federal.

 

Oposição decidida

Mesmo com o pedido de demissão ontem do ex-ministro Geddel Vieira Lima da Secretaria de governo, por quem Michel Temer “enquadrou” Marcelo Calero para aprovar a construção de um prédio em Salvador (BA) de seu interesse, o PT e outros partidos de oposição já decidiram apresentar o pedido de impeachment do atual presidente da República.

 

Crime de responsabilidade

“Estamos discutindo o encaminhamento, se o pedido será apresentado por partido político ou por personalidades da sociedade civil. Mas isso não tem volta, Temer cometeu crime de responsabilidade. O que ele fez está claramente caracterizado como tal pelo artigo 85 da Constituição Federal”, informou ontem o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

 

Custo altíssimo

“Ainda que o pedido de impeachment não prospere na Câmara, que Rodrigo Maia o rejeite, o custo político para enterrá-lo seria altíssimo, e o custo econômico também”, comentou em artigo a jornalista Tereza Cruvinel, do portal Brasil 247, que teve grande repercussão nas redes sociais, onde já está sendo pedido por milhares de internautas a renúncia ou o impeachment de Temer.

 

Confissão de crimes

No comunicado divulgado anteontem pelo porta-voz do Planalto, “Michel Temer acabou confessando pelo menos dois crimes tipificados no Título XI (Dos Crimes Contra a Administração Pública) do Código Penal brasileiro”, escreveu outro colunista do portal, Jeferson Miola, citando os crimes de advocacia administrativa e tráfico de influência do presidente.

 

Fim da linha

“O governo golpista Michel Temer chegou ao fim da linha. Está inviabilizado e desmoralizado. Em média, um ministro cai por mês por corrupção, e quase todos os remanescentes são citados e implicados em denúncias de corrupção, porém protegidos pela seletividade da Lava Jato, do MP e do Judiciário”, afirma o jornalista Jeferson Miola, ao destacar que o único caminho que resta a Temer é o da renúncia.

 

Gravações à vista

Enquanto isso, o jornal Folha de São Paulo informava ontem que apurou que Marcelo Calero não gravou a última conversa que teve com Temer pressionando-o para atender Geddel, mas que o ex-ministro da Cultura gravou conversas com outras autoridades do governo. Isso significa que antes de Temer cair, outros ministros devem cair, aumentando a fila dos seis que já deixaram seu governo de seis meses.

 

Nove inocentam Lula

Do lado da oposição, o doleiro Alberto Youssef se tornou ontem a nona testemunha de acusação a inocentar o ex-presidente Lula sobre o suposto envolvimento dele na Lava Jato. Youssef disse a Moro que não conhece pessoalmente e que jamais tratou com políticos que não fossem do PP sobre valores oriundos de contratos da Petrobras e eventuais fraudes ou desvios envolvidos nessas contratações.

 

Nenhuma informação

Ao tratar do apartamento de Guarujá, cuja propriedade é atribuída ao ex-presidente Lula sem provas, Youssef afirmou que não possui nenhuma informação sobre o imóvel, nem nunca ouviu falar de nenhuma informação de propina ou vantagem indevida ao ex-presidente Lula ligada ou não ao apartamento em questão.

 

Lula isento

Todas as testemunhas que falaram esta semana (Delcídio Amaral, Augusto Mendonça Neto, Dalton Avancini, Eduardo Leite, Pedro Correa, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró) também inocentaram Lula. “As testemunhas do MPF isentaram Lula e sua esposa Marisa Leticia da prática dos crimes imputados na denúncia”, disseram os advogados de Lula.

 

Alheios à Presidência

Os advogados Cristiano Zanin e Roberto Teixeira disseram, em nota, que as testemunhas do Ministério Público Federal “revelaram que o foco de corrupção alvo da Lava Jato está restrito a alguns agentes públicos e privados, que atuavam de forma independente, regidos pela dinâmica de seus próprios interesses, e alheios à Presidência da República”.

Romerito Aquino