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Coluna Acre em Foco

Brasília voltou a viver ontem o clima de grande repressão e ameaças muito comuns durante a ditadura militar que atrasou o Brasil em várias décadas. Tudo para impedir que cerca de 10 mil estudantes e representantes dos movimentos sociais pudessem se manifestar contra a votação da PEC do governo que congela os gastos públicos por 20 anos.

 

Exército de policiais

Para conseguir aprovar a PEC em primeiro turno por 61 votos no Senado, como acabou ocorrendo, o governo Temer cercou o Congresso e a Esplanada com um grande exército de policiais, que provocavam os manifestantes para poderem descarregar à vontade incontáveis bombas de efeito moral e de gases tóxicos contra a multidão que se aglomerava em frente ao Congresso.

 

Varrendo os pobres

Ou seja, o Brasil votou e aprovou ontem, sem qualquer participação de sua população, mais uma etapa da Proposta de Emenda Constitucional de número 55, que deve literalmente varrer os pobres do território nacional, pois prevê cortes orçamentários monstruosos nos próximos 20 anos na educação, na saúde, no saneamento e na habitação, ampliando ainda mais o desemprego.

 

Trilhões em cortes

Segundo cálculos feitos por institutos de pesquisa a pedido da oposição ao atual governo, a PEC 55 vai reduzir em 20 anos R$ 743 bilhões na saúde, R$ 800 bilhões em ações de assistência social e benefícios aos pobres e em no mínimo R$ 50 bilhões na área de educação, entre outros cortes públicos.

 

Muito menos gente

Isso vai acontecer porque os orçamentos dos setores públicos só vão crescer ano a ano nas próximas duas décadas apenas com o índice da inflação do ano anterior. Isso significa que, como a população do país vai continuar crescendo ao longo desse período, cada vez menos gente poderá se beneficiar das ações públicas da saúde, da educação, do social e de outros setores.

 

Enterro da democracia

Ao relatar ontem os grandes conflitos ocorridos na capital federal, a mídia crítica – e não a grande mídia, comprometida pelo dinheiro milionário que está lhe passando o governo Michel Temer – considerou que o dia 29 de novembro será lembrado como o dia do enterro da democracia brasileira, com cidadãos sendo bombardeados por tentarem exercer seu direito constitucional de manifestação.

 

Tragédia brasileira

“Foi o retrato acabado da tragédia brasileira. De país admirado no mundo, que vivia uma situação de pleno emprego em 2014, o Brasil colhe os resultados do golpe e viu sua capital ser transformada em praça de guerra por um governo de legitimidade cada vez mais questionada que tenta empurrar goela abaixo da sociedade um congelamento de gastos pelos próximos vinte anos”, assinalou o Portal 247, o mais lido pelas redes sociais do país.

 

Protestos pacíficos

Segundo o mesmo portal, “diante da resistência dos movimentos sociais e dos estudantes, o governo Temer, que já corre o risco de sofrer um processo de impeachment, respondeu com bombas e repressão” contra os manifestantes que foram protestar de forma pacífica contra a aprovação em primeiro turno no Senado Federal da PEC 55.

Pedido de impeachment

Os partidos da oposição no Congresso anunciaram ontem que será apresentado mais um pedido de impeachment contra o presidente golpista Michel Temer na Câmara dos Deputados, que será assinado, desta vez, pelo PT, PC do B, PDT, PSOL, além da União Nacional dos Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outros.

 

Crime de responsabilidade

O segundo pedido reforça argumento já protocolado pelo PSOL, de que Temer praticou crime de responsabilidade, ao endossar a pressão do ex-ministro Geddel Vieira Lima contra o também ex-ministro Marcelo Calero. “Há consenso de que há crime de responsabilidade e de que o pedido de impeachment é a peça concreta que cabe neste momento”, afirmou a líder da oposição na Câmara, Jandira Feghali (PC do B-RJ)

 

Gravações com Temer

Também ontem, a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), as gravações feitas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero com o presidente Michel Temer, no caso em foi pressionado a atuar em defesa dos interesses pessoais do ex-ministro Geddel Vieira Lima. As gravações serão enviadas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para ele pedir ou não a abertura de inquérito sobre o assunto.

Romerito Aquino