ÚLTIMAS NOTÍCIAS >>

Coluna Acre em Foco

Crise esquenta

Pancadaria, bombas, gás, gritos, incêndios, ameaças, trairagens e golpes um atrás do outro. Esse é o clima que esquenta cada vez mais a crise política no Brasil e que transformou Brasília numa histórica praça de guerra na última terça-feira, com a votação, no Senado, da chamada PEC da morte dos pobres brasileiros, uma vez que irá reduzir todos os investimentos públicos no país por 20 anos.

 

Coquetel molotov

Em menos de 24 horas, a capital federal se transformou num perigoso coquetel molotov, com o povo nas ruas cobrando vergonha na cara dos políticos brasileiros, enquanto os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário não se entendem mais sobre os rumos do país, governado por um presidente golpista (Michel Temer) que não tem nem 10% de respaldo popular, estando também envolvido em crime de corrupção.

 

Cassetetes e bombas

O último coquetel explosivo da política brasileira começou no início da tarde da terça, na Esplanada dos Ministérios, com mais de 10 mil estudantes e representantes de movimentos sociais gritando em frente ao Congresso contra a PEC 55 do teto dos gastos e sendo reprimidos à base do cassetete e muitas bombas e gases tóxicos pela Polícia Militar do DF, bem ao estilo com que a ditadura militar tratava seus contrários.

PEC da morte

E prosseguiu no meio da noite, quando o Senado aprovou por 61 votos contra 14 a PEC que deve reduzir, no mínimo, nos próximos 20 anos R$ 743 bilhões em investimentos na saúde, R$ 800 bilhões em investimentos em assistência social e mais de R$ 50 bilhões, além de outros cortes significativos em outras áreas do serviço público do país.

Judiciário e Câmara

De madrugada, foi a vez da Câmara dos Deputados entrar na guerra política sem fim, desta vez contra o Judiciário e contra os interesses do povo brasileiro, que quer pôr fim ou mesmo dar um basta ao grande avanço da corrupção nas administrações públicas e privadas do país, que vem tornando cada vez mais cara a vida em todo o território nacional.

 

Abuso de autoridade

Na calada da madrugada, por grande maioria, os deputados aprovaram o pacote de medidas anticorrupção enviado ao Congresso pelo Ministério Público, que colheu milhões de assinaturas, para dar um basta na corrupção brasileira. Mas o pacote foi alterado em plenário e os deputados aprovaram medidas punitivas ao abuso de autoridade por parte do Judiciário.

 

Sem segurança

Foi o suficiente para muitos procuradores da República na Lava Jato quase invadir o plenário da Câmara dos Deputados porque, segundo eles, o item punitivo do abuso de autoridade acaba totalmente com a segurança e a autonomia do Ministério Público para investigar os poderosos acusados de crimes financeiros.

 

Renúncia à Lava Jato

Com os 13 procuradores ameaçando renunciar à Operação Lava Jato, os ânimos voltaram a se exaltar quando o presidente do Senado, Renan Calheiros, um dos inúmeros políticos brasileiros investigados pela Lava Jato, tentou colocar ontem mesmo em votação o pacote de medidas anticorrupção modificado e aprovado na madrugada pelos deputados.

 

Em causa própria

Foi o bastante para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atacar Renan Calheiros ao dizer que custava a acreditar que um julgamento pautado no Brasil para hoje, exatamente no Supremo Tribunal Federal (STF), tenha sido a causa da grande pressa do presidente do Senado de votar no mesmo dia na casa o pacote de medidas anticorrupção.

 

Renan no STF

O procurador-geral Rodrigo Janot se referia à votação prevista para hoje à tarde no STF de uma das denúncias existentes na corte contra o senador Renan Calheiros, mais precisamente aquela em que o presidente do Senado é acusado desde 2007 de receber ajuda financeira de uma empreiteira para pagar a pensão de um filho com uma jornalista.

 

Alguma suspeita

Mesmo sem mencionar a vinculação da pressa de deputados e senadores de quererem votar o item do abuso de autoridade com o fato de centenas deles terem sido delatados na Lava Jato, Rodrigo Janot disse apenas que a forma “atropelada” dos deputados para aprovar o pacote anticorrupção “levanta no mínimo alguma suspeita”. E segue a crise política brasileira.

 

Romerito Aquino