Índios fecham polos bases do Dsei Alto Purus e prometem radicalizar movimento

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21/05/2012 - 23:20:30

Duaine Rodrigues

Visando fortalecer o movimento de reivindicação indígena, representantes de sete etnias que envolvem cerca de 8 mil índio dependentes do auxílio do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Purus (Dsei), decidiram fechar os polos bases que oferecem atendimento de saúde aos povos nativos nos municípios  acreanos de Santa Rosa do Purus, Manuel Urbano, Sena Madureira, e Assis Brasil, nos amazonenses Pauini e Boca do Acre, e na vila rondoniense de Extrema.
De acordo com o cacique Ninawá Huni Kuin, há dois anos os índios debatem a saúde disponibilizada e não houve melhoras, apenas conversas, mas sem definições. A justificativa para o bloqueio das ações nos polos bases é justificada pela falta de estrutura.
“Hoje, temos na jurisdição do Disei do Alto Purus, os polos bases de Extrema e Pauini que estão fechados. Nos demais polos bases, os caciques estão entrando em contato com a gente informando que logo estarão tomando a iniciativa de fechar aquelas unidades. Isso porque tem profissionais contratados, com exceção de médicos, mas que não têm condições de chegar às aldeias. A assistência não está chegando”, comentou.
Segundo a liderança, durante a passagem por Brasília, onde um grupo de 40 índios do Acre esteve por 1º dias no início deste mês, ele participaram de uma audiência com secretário Nacional de Saúde Indígena, Antônio Alves, onde foi apresentado um orçamento de quase R$ 800 milhões para todo o país.
“De alguma forma o Estado do Acre tem cerca de R$ 3 milhões disponíveis no núcleo do Ministério da Saúde e até esse momento as ações não estão chegando. Não tem barco, sequer telefone nos polos bases, não tem combustível, não tem medicamentos. A estrutura está acabada no interior. Fizemos uma denúncia na 6ª Câmara, no Ministério Público Federal (MPF), que ficou de tomar as providências”, disse Ninawá, destacando ainda que os povos da região atendida pelo Dsei do Ato Purus não aceitam mais a permanência do atual chefe do Distrito, Raimundo Costa, no cargo.
“Ele tem formação em Teologia, é agende de endemias, mas não está conseguindo fazer a gestão. É preciso de alguém que tenha conhecimento na área de saúde para assumir essa função. Está decidido que não será mais aceito o nome de Raimundo Costa para gerir o Dsei do Alto Purus e isso já foi comunicado ao Antônio Alves durante a audiência”, garantiu.

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