Comitê de Direito à Memória quer Acre na pauta federal

PDF
25/05/2012 - 22:52:56

Duaine Rodrigues

Em novembro do ano passado, foi criado no Acre o Comitê Estadual de Direito à Memória e à Verdade sobre os casos de violações de Direitos Humanos que ocorreram entre 1946 e 1988, que tem como objetivo, a partir da efetivação da Comissão da Verdade, incluir na pauta federal os casos que aconteceram no Estado de violações de direitos humanos praticados pela ditadura militar.
O Comitê é formado por diversas representações da sociedade civil organizada, entre advogados, jornalistas, sindicalistas, atores dos Direitos Humanos, parentes de vítimas e algumas vítimas. Segundo Valdecir Nicácio, um dos membros do Comitê, foram colhidos vários depoimentos de pessoas que foram vítimas da ditadura no Acre.
“Em 1º de abril de 1964, logo após ser iniciada a ditadura com o Golpe Militar um dia antes, já começaram as perseguições, as cassações, prisões, assim como aconteceu no Brasil inteiro. Muita gente foi vítima aqui, inclusive pedindo reparações. Alguns já ganharam, mas têm muitos que ainda não conseguiram. Nosso desafio é incluir para análise da Comissão da Verdade essas pessoas que foram vítimas no Acre”, disse.
Valdecir ressaltou que a visita da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, ao Acre, nos dias 29 e 30 deste mês, vai ser aproveitada para explanar mais o assunto para a sociedade. Ele também observa o tempo para ação da Comissão da Verdade insuficiente, mas demonstra confiança e otimismo com os resultados.
“Para quem não tinha nada é um avanço conseguirmos essa análise. Vamos depender do que a comissão está pensando. Estou otimista porque agora, mesmo com essa Lei da Anistia, que foi um desastre para nós, a gente já pode colocar as claras isso. Acredito plenamente nas pessoas que foram indicadas, pois são bastante representativas e tem uma sensibilidade muito grande com o tema”, afirmou.
Ao ser questionado sobre o fato de a morte de Chico Mendes ter sido analisada como crime de ditadura, Nicácio declarou que a discussão não faria mais sentido juridicamente e ponderou: “Particularmente acredito que o crime teve outras motivações que não apenas uma briga entre o Darli e o Chico Mendes. Mas não temos prova, então fica valendo a versão oficial, de que foi o Darli que matou o Chico porque ele estava atrapalhando seus negócios no Seringal Cachoeira”, encerrou.

VALDECIR Nicácio, um dos membros do Comitê, está otimista sobre resultadosVALDECIR Nicácio, um dos membros do Comitê, está otimista sobre resultados