A visão de Moisés Diniz

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29/06/2012 - 22:12:39

Com o fim das convenções partidárias e concluída as indicações dos candidatos a prefeitos nos 22 municípios do Acre, o deputado Moisés Diniz, que é também um bom observador da conjuntura e um analista bastante racional, afirma que, neste processo, a Frente Popular do Acre (FPA) foi a coligação que mais respeitou as conjunturas locais e a mais democrática na distribuição do equilíbrio de força entre os aliados.

Para respaldar os seus argumentos, Moisés Diniz apresenta um mapeamento dos candidatos da FPA no Acre. Nele, o PT, o partido do governador, apresenta o menor número de indicações desde a fundação da coligação, embora esteja com a indicação da Capital, o maior colégio eleitoral.

Em contrapartida, o PT cedeu cabeças de chapas importantes, como, por exemplo, as do segundo e terceiro colégios eleitorais do Acre, ou seja, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira. Em Cruzeiro do Sul, o Partido Verde (PV), pela primeira vez na história eleitoral do Acre, tem um candidato a prefeito no Juruá. Trata-se do deputado federal Henrique Afonso, que concorre com um vice do PT.

E, segundo dizem, com boas chances de vencer o pleito.

O terceiro maior colégio eleitoral, Sena Madureira, tem o candidato do Partido Republicano (PR), Mano Rufino, com um vice do PC do B. Aliás, o próprio PC do B, um dos mais importantes aliados ficou com duas indicações: Capixaba e Jordão, além de dez candidaturas a vice-prefeitos, inclusive a da Capital.

Até o minúsculo Partido Social Democrata Cristão (PSDC) tem uma candidatura majoritária consolidada em Acrelândia. Para Moisés Diniz, nenhuma outra coligação apresentou uma diversificação tão ampla que contemple o conjunto dos aliados, como fez a FPA.

Um dado significa, porém, é o reconhecimento – e o crescimento – de um dos partidos da FPA, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que, pasmem, será cabeça de chapa em quatro municípios: Bujari, Manuel Urbano, Plácido de Castro e Epitaciolândia.

O quadro resultante de tantas articulações comandadas pelo governador Tião Viana, reconhecemos, é plural. O critério que usou deve ter levado em consideração a chance de cada um em sua localidade. E é exatamente este argumento que o deputado comunista indica como uma postura democrática do governador Tião Viana.

A ideia de que o governador estaria impondo candidaturas a torto e a direito, sem levar em consideração a realidade de cada município, obviamente, é estapafúrdia. Mas o episódio de Rio Branco, onde a deputado Perpétua Almeida (PC do B) estava melhor posicionada na pesquisa, o que não impediu a indicação do engenheiro Marcus Alexandre, pode ter sido o que gerou tal concepção.

Para Moisés Diniz, no entanto, Rio Branco é sempre um caso especial, e a decisão que pode parecer inadequada, leva em consideração um conjunto de mudanças no eleitorado, que faz com que a indicação de um candidato siga tais desdobramentos. Mas fora isso, a verdade é que a FPA diluiu, e muito, as indicações dos candidatos entre seus aliados.

O que isso significa, porém, somente os articuladores e pensadores da FPA, que tomaram as decisões, sabem os reais motivos. Devem ter levado em consideração uma correlação de força, que deverá se formar depois de outubro e que será o ponto de partido para as eleições de 2014. Mas, que houve uma abertura extraordinária do PT, isso houve.

Mas isso deve ser uma prática comum, não uma novidade que insinua o deputado Moisés Diniz. Afinal, não é fácil para a FPA administrar uma coligação tão complexa que, por mais bem gerida que seja não deixará nunca de ter descontentamentos.

Mas o quadro ficou de bom tamanho para a democracia interna.

Quiçá seja também de bom alvitre para as urnas.