A favor da vida


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Da Editoria

Até as ações, das mais simples às mais complexas, ligadas ao isolamento social, viram caso político no Acre. Mais de 60 mortes em dois meses parecem significar pouco diante da necessidade de troca de acusações, de se meter o bedelho sem conhecimento técnico, de se contrariar o consenso médico e epidemiológico. O que parece realmente importar é a picuinha, a baixa política, que tem por base menos o interesse público e mais a curtida aleatória das redes sociais, mais a fofoca que a razão.

A prefeitura de forma corajosa determinou o rodízio, com apoio correto do governo do estado, de forma até benigna, listando uma série de exceções para várias categorias, evitando uma legislação draconiana. Mas foi o bastante para que se fizesse um carnaval com a medida, antes de saber se daria certo ou não. Na Europa, onde foi aplicada, funcionou bem, mas parece que os gênios do urbanismo acham que por aqui é diferente. Não importam as mortes, desde que o boteco da esquina possa vender seus bribotes.

Seria sério se os empresários acreanos fossem ousados, empreendedores, se não dependessem, todos eles, a todo instante, das benesses do governo, da mão estendida pedindo favores e facilidades.

Não! Eles querem tudo ao mesmo tempo: o dinheiro, o apoio do poder e as benesses, sem esforço, sem sacrifício, do alto de suas mansões, de seus apartamentos funcionais alguns situados de frente para a praia, em outros estados, porque ninguém é de ferro.

Enquanto isso, seus sequazes ficam buscando pelo em ovo, esquadrinhando contas do governo e da prefeitura, em busca de tostões que de forma nababesca usariam para engordar seus patrimônios.

Aos ungidos pela riqueza, tudo é permitido, aos outros, nem a lei basta. Dois pesos e duas medidas, sempre, que essa é a conta que serve para eles.
Quantas mortes terão que ocorrer para salvar empresas quebradas de empresários que só sobrevivem às custas do governo?

Quantos óbitos devem ser carregados pela população, para que a livre iniciativa possa prosperar ás custas das obras púbicas?

Um empresário reclamou que agora com o rodízio, será obrigado a usar o carro da empresa para seus deslocamentos. Coitado. Certamente, não faz fila nos bancos para sacar a ajuda miserável de R$600,00 que vem sendo negada, regulada, atrasada. Se contenta com a ajuda às grandes empresas, que não falta nunca.

Nesse momento, ir contra a ciência, contra as evidências da necessidade de medidas restritivas é ir contra a vida, é celebrar a morte. A história cobrará essa postura com rigor.