Acre registra a morte de um recém-nascido indígena por covid-19

Foto: Dhárcules Pinheiro

Cezar Negreiros

Acre registra a primeira morte de uma criança indígena de cinco meses da etnia dos Kaxinawás por covid-19. A vítima que vivia numa aldeia na zona rural do município de Santa Rosa dos Purus chegou a ser transferida  às pressas para a capital acreana, mas ela não resistiu à doença e faleceu no dia de ontem, segundo o boletim médico.

Mais dois indígenas infectados  desembarcaram no aeroporto internacional de Rio Branco no fim da tarde de ontem, um dos pacientes com covid-19 é o secretário municipal de Saúde, Osimarino da Silva Santos.   O município já contabiliza 48 casos de covid-19, os infectados são das etnias Kaxinawá, Kulina e branco que vive na região do Vale do Alto Purus.

Uma profissional de saúde chegou a postar nas redes sociais um áudio alertando as autoridades para o colapso do sistema de saúde na localidade. Reclama da falta do medicamento Azitromicina, um antibiótico que vem sendo usado no tratamento da doença. “Nós não temos mais nenhum comprimido para prescrever aos nossos pacientes que agonizam nos leitos”, desabafa.

A prefeitura de Santa Rosa do Purus enfrenta severas dificuldades para encontrar a medicação no mercado local, as farmácias estão sem a Azitromicina.  Como o município está localizado na região de fronteira com o Peru,  conta apenas com um voo semanal que pode levar um novo carregamento da medicação nessa segunda-feira (dia 8)

O estado já contabilizou três mortes de indígenas, a primeira vítima era um índio  Jaminawa,  64 anos, aldeado no município de Assis Brasil, que faleceu no Hospital Regional de Brasileia, a segunda o funcionário do Distrito Sanitário Indígena do Juruá (DSEI), Nascimento Jorge Shawandawa,  que morreu no último domingo (dia 31), no Hospital Regional do Juruá. A terceira vítima era  uma adolescente de 17 anos, da etnia dos Apurinãs do município de Boca do Acre, região Sul do Amazonas.

Gestante – A paciente gestante chegou a ficar internada no hospital de Boca do Acre, como estava com anemia, uma pneumonia e uma mancha no pulmão, a equipe médica lhe encaminhou para a maternidade da capital acreana para que pudesse ser submetida a uma cirurgia cesariana, pois a criança corria risco de vida. O primeiro exame para verificar se ela tinha sido infectada pelo coronavírus, o resultado deu negativo, mas devido as complicações clínicas foi encaminhada  ao Pronto-Socorro de Rio Branco, onde fez um segundo exame, mas antes do resultado sair no último dia 15 de maio, a paciente apresentou complicações clínicas que precisou fazer uma cirurgia para retirada da criança que corria risco de vida.  Após o parto de emergência a adolescente indígena teve severas complicações e precisou ser entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do INTO/AC, depois de lutar por vários dias pela vida morreu na última segunda-feira (dia 1).