Acusados da morte de Johnliane podem enfrentar júri popular

Cezar Negreiros

O promotor Efrain Mendoza ofereceu denúncia na 2° Vara do Tribunal do Júri, contra o fisioterapeuta Ícaro José da Silva Pinto e o estudante Alan Araújo de Lima, acusados de participar de um racha no dia 6 de agosto na Avenida Antônia da Rocha Viana (no bairro da Vila Ivonete), que resultou na morte trágica de Johnliane Paiva de Souza. O representante do MPAC concedeu uma coletiva no dia de ontem para detalhar os crimes cometidos pelos acusados. Destacou as seguintes infrações cometidas pela dupla: racha em uma via pública, omissão de socorro a vítima atropelada, fuga do local do crime e exposição de terceiros durante a disputa em uma via pública no horário que as pessoas deslocavam em direção do trabalho ou retorno para casa. “A participação dos dois motoristas na morte da jovem no dia 6 de agosto está comprova, pois temos provas técnicas e um laudo pericial que aponta ponto, a ponto”, justificou para manter a acusação de homicídio qualificado, que pode resultar em pena de seis a 20 anos em regime fechado.

Admitiu a celeridade do Ministério Público Estadual (MPAC) em decorrência da comoção do caso Johnliane. “Esperamos, portanto, que esse caso seja um divisor de águas para que não mais aconteça tragédias com essa”, ponderou o promotor.

A defesa dos acusados já ingressou com um pedido de relaxamento da prisão dos acusados, mas o magistrado do caso, Alesson Braz negou provimento do pleito. Em seguida, os advogados ingressaram com um pedido de Habeas Corpus no Tribunal de Justiça do Estado do Acre, o pleito foi pelo desembargador Samoel Evangelista que entendeu nenhum dos acusados não foram submetidos a nenhuma ilegalidade ou abuso de poder.

Entenda o caso

Era madrugada da última quinta-feira de agosto (dia 6), quando a funcionária do Supermercado Araújo Jonhliane Paiva de Souza, de 30 anos, trafegava pela avenida Antônio da Rocha Viana a caminho da loja no Segundo Distrito da capital acreana. Assim que se aproximou da ladeira que fica nas proximidades do prédio de Cursos Damásio foi atingida em cheio pelo motorista de uma BMW que trafegava em alta velocidade. A pancada foi tão forte que o corpo da vítima presa no para-brisa e chegou a ser arrastada por mais de 50 metros.

O motorista que se envolveu no acidente tráfico fugiu do local, sem prestar socorro à vítima que morreu antes da chegada de uma viatura do Samu. Durante a apuração do delegado Alex Danny Tavares, titular da Delegacia de Polícia Civil da 1ª Regional, os investigadores descobriram que carro BMW dirigido pelo fisioterapeuta Ícaro José da Silva Pinto participava de um racha com um outro carro (um fusca branco), na avenida Antônio da Rocha Viana. O Fusca branco (importado), segundo a autoridade policial, era pilotado pelo estudante Alan Lima.