Alunos da rede pública desenvolvem projeto que beneficia comunidades indígenas

A ideia dos alunos do 2º ano da escola estadual Raimunda Silva Pará era ajudar estudantes de localidades distantes da zona urbana de Rio Branco. Foi então que a turma decidiu criar um projeto voltado para a reutilização da água: o sistema de captação de água proveniente da precipitação (chuva) para as escolas indígenas.

O trabalho, elaborado para ser apresentado na edição 2018 da Mostra de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação do Acre – Viver Ciência, consiste na fabricação de um instrumento de bambu – planta utilizada na fabricação de diversos objetos como móveis, cestos e até na construção civil- que filtra impurezas existentes na água captada por meio da chuva.

Kétila da Silva Magalhães é professora de biologia e orientou os estudantes neste projeto. Para ela, o tema desta edição da Mostra influenciou a escolha por uma pesquisa direcionada aos povos da floresta. “Pensamos em retratar a situação da água e fizemos esse projeto relacionando os alunos indígenas com a dificuldade em obter água potável em comunidades distantes. O consumo de água não tratada acaba implicando na aprendizagem desse aluno indígena, que pode se contaminar ingerindo esse líquido, adoecer e perder o ano letivo”, diz.

A partir disso, foi criado um filtro biológico para tratar a água proveniente da chuva. Os materiais utilizados na fabricação do utensílio partem de recursos encontrados no próprio ambiente da floresta, como o próprio bambu, o algodão e o carvão.

“Desenvolvemos esse filtro visando ajudar as crianças das aldeias indígenas, para que consumam água potável não só dentro da escola, mas também fora dela. Em nossas pesquisas, detectamos que em crianças de algumas aldeias estavam tomando água sem o devido tratamento, ocasionando a elas doenças como cólera e diarreias”, afirma Francisco Rian, de 16 anos, integrante do projeto.

A aluna da rede pública Jéssica Braga, de 17 anos, visitou o estande da escola e exaltou o trabalho, cujo objetivo primordial é melhorar a qualidade de vida nas comunidades indígenas. “Sabemos que em lugares afastados é muito comum a utilização de água da chuva para alimentação e outros afazeres, mas sem limpá-la. Com esse filtro é possível beber água da chuva sem correr o risco de adoecer por contaminação”, observa.

O processo de limpeza da água ocorre porque o bambu armazena a água e filtra a água, absolvendo 90% dos germes e bactérias. Os outros 10% são retidos no algodão. Já a brita e o carvão absolvem partículas menores. “É bom repetir esse processo mais de uma vez para garantir que a água realmente esteja limpa”, reitera a professora de biologia.

Viver Ciência 2018

A Secretaria de Estado de Educação e Esporte, a Universidade Federal do Acre – UFAC, o Instituto Federal do Acre – IFAC e todos os parceiros apresentam a 4ª Mostra Viver Ciência com uma programação que aposta na força jovem para a garantia de um futuro melhor. Trata-se de uma oportunidade para a troca de conhecimentos, estímulo à criatividade, valorização da experimentação, da ação investigativa, da atividade inovadora, de trabalhos interdisciplinares e da promoção da iniciação científica.