Acriano chega da Argentina
apavorado com gripe suína
A situação caótica da saúde no mundo está deixando a população apavorada. Várias pessoas de outros países estão tentando vir para o Brasil com medo da gravidade do vírus H1N1. Um acriano, estudante de medicina na Argentina, desembarcou na madrugada de ontem no Acre por esse motivo. Ele simplesmente “fugiu” da gripe suína, apesar de garantir ter sido vítima da doença há alguns meses.
Em entrevista à reportagem da TRIBUNA, o estudante relatou a situação em que estava vivendo na Argentina, num clima de pânico diário . Outra estudante que ainda permanece no país também falou à reportagem que está programando a documentação para vir para o Acre.
Shoppings, cinemas, restaurantes, casas noturnas e supermercados estão com as portas fechadas. Metrôs e ônibus também estão previstos para parar. Tudo isso para evitar aglomerações de pessoas. Alguns comércios que ainda estão funcionando decretaram regras: apenas de dez em dez pessoas podem entrar no local.
Apesar de a Argentina ser o terceiro país do mundo com mais mortes confirmadas em razão da gripe A (50 casos), especialistas dizem que isso ocorre porque há subnotificação de casos decorrente de doentes que melhoram sem ter procurado o sistema de saúde e suspeitas ainda em estudo. Ou seja, a gripe A não mata mais na Argentina do que em outros lugares.
O estudante disse que contraiu a doença, mas garante estar curado. “Eu tenho certeza de que contraí a gripe, mas não fui ao médico. Lá, como é alto o número de casos, somos orientados a ficar em casa. Então, me isolei. Apesar da Argentina ter vários casos, o número de contaminados no Chile é bem superior”, disse.
Ele ressalta ainda que muitas pessoas usam máscaras para evitar a contaminação. “As poucas pessoas que encontramos pelas ruas - porque a orientação é ficar em casa - usam máscaras. Mas muitas também têm preconceitos. Na minha faculdade, as aulas foram suspensas porque várias pessoas morreram por causa dessa doença”, ressaltou.
Faltam medicamentos
O ministro de Saúde da Argentina, Juan Manzur, reconheceu nesta quinta-feira, 2, que faltam medicamentos e insumos para enfrentar a gripe suína no país. Também confirmou que os infectados pela gripe suína no país podem chegar a 100 mil, dos quais apenas 2,8 mil foram confirmados por laboratório.
A estudante que se prepara para desembarcar no Acre nos próximos dias enfatiza que somente sai de casa quando é caso de urgência.
“Não há mais máscaras para vender. Muitos brasileiros estão querendo voltar para o Brasil, mas nem todos estão conseguindo. Estou preparando minha documentação para ir. Aqui, não está nada fácil”, enfatizou.
Exame da gripe suína será
realizado apenas em casos graves
O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (3) uma nova mudança no protocolo de atendimento dos casos de gripe suína no país. A partir de agora, a confirmação da doença por exame de laboratório será feita apenas nos casos graves.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta sexta-feira (3), durante entrevista coletiva sobre a gripe suína, que o número de casos autóctones (aqueles transmitidos dentro do território nacional) aumentou de 6% para 30% em apenas três semanas
“Nós queremos impedir que a doença se dissemine e que pessoas morram.
Para isso é fundamental a estrutura de atendimento. Não tem nada a ver com o diagnóstico”, disse o ministro José Gomes Temporão. “Existe uma questão de racionalidade também. À medida que o número de casos aumenta, a possibilidade de você faça exame diagnóstico para a totalidade (de casos suspeitos) perde, de certa forma, o sentido”.
De acordo com o ministro, a falta de exame diagnóstico não deixará o país sem controle da doença, pois há 62 unidades em todos os Estados que fazem um trabalho permanente de monitoração da circulação de diferentes tipos de vírus e detecta ocorrência de surtos.
“Todos os casos que evoluírem com gravidade, todas as pessoas internadas e os casos que acontecerem em ambientes fechados farão o diagnóstico laboratorial”, explicou o ministro, acrescentando que o tratamento independe do diagnóstico. “Não é o laboratório que define a conduta, é a clínica, o médico que atende.”
Fiscalização
O estudante comentou que passou pela “fiscalização” somente no aeroporto de Brasília. Ele critica a atitude e diz que não é uma fiscalização rigorosa.
“Preenchi um formulário no voo. No formulário, perguntam se apresentamos algum sintoma da doença. Se tiver, eles encaminham para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas nem tem gente que apresenta os sintomas, mas tem vergonha de pôr no formulário. Eles deveriam fazer um exame na hora, no momento do desembarque”, criticou.
A gripe suína é transmitida de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1 segundo testes laboratoriais e parecem ter dado resultado prático. (Ana Paula Batalha)