As queimadas ilegais continuam avançando nos rincões

Cezar Negreiros

Em duas semanas, o Acre registrou 1.902 focos de calor, enquanto no mês de setembro do ano passado chegou em torno de 2.977 queimadas. Somente neste ano já foram contabilizados 5.946 focos de calor, mas no ano passado apenas 6.802 ocorrências de queimadas, segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe). “Com o desaparelhamento dos órgãos de fiscalização e falta de verba para os estados contratar brigadistas de combate ao fogo não temos como fazer muita coisa para conter os focos de calor na região da Amazônia Ocidental”, lamentou o ambientalista Foster Brown.

O professor/pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac) destacou que o processo migratório na região da Linha Cunha Gomes que delimita o Acre do Amazonas e as invasões das terras públicas no estado têm contribuído para o aumento das queimadas ilegais na região da Amazônia Ocidental. Para conter as queimadas ilegais, aponta que as autoridades máximas do país deveriam ter de intensificar as fiscalizações conjuntas dos órgãos ambientais seis meses antes do verão amazônico.

Operação Focus II deflagrada chegou a expedir mais de R$6 milhões em multas aplicadas pelos fiscais do Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac) em decorrência do desmate e queimadas ilegais no interior. O levantamento apontou que os municípios com os piores indicadores eram: Rio Branco, Sena Madureira, Xapuri, Brasiléia, Manuel Urbano, Feijó e Tarauacá. De janeiro ao dia 27 de agosto deste ano foram registrados no Acre 23.225 focos de calor, no mesmo período do ano passado chegou em torno de 25.150 focos.

Balanço – A área desmatada no estado no ano passado chegou em torno de 668 quilômetros quadrado (KM2 ). A taxa de desmatamento registrou um crescimento de 55% entre o período de agosto do ano passado e julho de 2020, mas em comparação ao ano anterior, o desmate ficou em apenas 444 quilômetros quadrado (KM2). Com um aumento de 36% da área desmatada, o Acre passou a ocupar o terceiro lugar entre os estados com os maiores desmates, ultrapassando inclusive o estado Rondônia que teve uma redução de 5,4% em comparação ao ano anterior.