BR-364 é causa nossa, do povo do Acre

Existe um sabor e prazer em percorre a BR-364, entre Cruzeiro do Sul e a capital acreana, Rio Branco. Ao amanhecer surge uma luz que corta morros, ilumina devagar as folhas de florestas e campos e casas que ainda não abriram suas janelas, apresentando a cada toco de árvovre um gavião como guardião da estrada.

Com sentimento de pertencimento que cada um daqueles gaviões parecem ter sobre a rodovia, é preciso falar sobre a realidade da BR-364. Foram mais de 60 anos sem pavimento algum ligando Rio Branco a Cruzeiro, oeste do estado.

Isolamento! Eram mais de 600 km, três municípios e diversos moradores de ramais e rios à beira de uma “picada” (caminho dentro da floresta) que seria a rodovia, isolados da “modernidade” que chegava por via terrestre às primeiras cidades que a BR tangencia no Acre. Isso tudo até 2011, ano em que a BR-364 se tornou totalmente trafegável com chuva, ou muita chuva ou sol. Estes são, portanto, os primeiros quatro anos de caminho contínuo no Acre! E agora nos parece tão corriqueiro…

A luta continua! Hoje, abril de 2015, a luta pelo caminho que o povo acreano merece não está completa. Mesmo com passagem aberta nos 600 km, caminhões e ônibus trafegando, levando os problemas e alegrias dos tempos modernos, a rodovia está com problemas, buracos e um solo que teima em se desfazer. Problemas já encaminhados para solução.

Em 2014, o governo do Estado do Acre passou a responsabilidade pela conclusão e manutenção, tantos anos feito de forma heroica pelo Deracre, para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Este ano foi aprovado no órgão o projeto, no valor de R$ 63 milhões, que já se encontram disponibilizados para três empresas realizarem os serviços.

A licitação para mais um passo já foi vencida e as empresas aguardam o fim das chuvas deste ano. Equipes do Dnit fazem manutenção emergencial, com auxílio do Deracre quando preciso, e viajar da capital acreana à capital do Juruá dura mais, mas ainda não leva mais 8 a 9 dias ou três meses.

Ainda é possível, durante a noite e com cautela, admirar cada estrela que se encaixa perfeitamente entre os telhados das casas, já iluminadas. Em noites de lua cheia, no trecho de Tarauacá a Cruzeiro, observa-se o corpo celeste responsável, em outras épocas, pela criação da vitória-régia, imponente no horizonte, imensa e clara, exatamente entre dois morros.

Aqueles que pedem uma solução para a situação atual o fazem com todo direito, eles vivem de cada metro dessa estrada. Sabe o que é bom? Acordar cedo, tomar café da manhã nas margens do Rio Juruá e almoçar 600 km à frente, no rio de sua escolha. Sem as vozes dissonantes não teríamos, em 1998, iniciado de forma definitiva a pavimentação que interliga o Acre economica e culturalmente.