Brasil anuncia vacinação a partir de janeiro de 2021

Ministro promete vacina no dia que Oxford pausa estudo

Desencontro

AstraZeneca, que tem parceria com a Fiocruz, interrompe pesquisa. Laboratório britânico era a principal aposta do governo para a imunização do Brasil.

O laboratório britânico AstraZeneca anunciou na terça-feira, 8, a interrupção de estudos, que envolvem a Fiocruz no Brasil, para desenvolver vacina contra a covid-19. A decisão do laboratório britânico ocorreu no dia em que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que em “janeiro a gente começa a vacinar todo mundo”.

Desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, este imunizante é a principal aposta do governo Jair Bolsonaro para imunizar a população. Informada sobre a suspensão, a Agência Nacional e Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que aguarda mais informações da AstraZeneca para se pronunciar oficialmente. O governo federal abriu crédito de cerca de R$ 2 bilhões para a Fiocruz receber, processar, distribuir e passar a fabricar sozinha a vacina.

Segundo fonte da Anvisa, o laboratório apenas enviou um comunicado à agência sobre a interrupção, sem detalhar que tipo de efeito colateral foi notado em um participante do estudo, por exemplo, que levou a travar os trabalhos – sites internacionais apontam um revés no Reino Unido. Técnicos da Anvisa, agora, buscam mais informações da AstraZeneca. “A decisão de interromper os estudos foi do laboratório.

Mais cedo, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, respondeu a perguntas da youtuber mirim Esther Castilho, escalada pelo presidente Jair Bolsonaro. “Vai ter vacina para todo mundo e remédio ou não vai?”, indagou, repetindo o que foi ditado pelo presidente. “Esse é o plano. A gente está fazendo os contatos com quem fabrica a vacina e a previsão é de que chegue para a gente em janeiro. Janeiro, a gente começa a vacinar todo mundo”, respondeu Pazuello sem citar que antes é necessário que a vacina tenha sua eficácia comprada, o que ainda não ocorreu.

Protocolo

Para a vacina desenvolvida por Oxford com a AstraZeneca, o governo federal acertou um protocolo de intenções que prevê a oferta de 30 milhões de doses até o fim do ano, e está concluindo as negociações para o pagamento e a assinatura de um acordo final que incluirá também a transferência de tecnologia para produção nacional, a ser conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Caso a vacina tenha sua eficácia comprovada, a previsão da pasta é produzir, inicialmente, 100 milhões de doses a partir de insumos importados. A produção integral da vacina na unidade técnicocientifica Bio-Manguinhos, no Rio, deve começar a partir de abril de 2021.

Concorrentes

Outros países também têm apresentado estudos para a produção da vacina, como Rússia e China, e integrantes do ministério já disseram que podem também negociar caso alguma delas se mostre eficaz contra a covid-19. Na reunião no Planalto, a garantia de uma vacina em janeiro foi citada ainda por Marcelo Álvaro Antônio, chefe da pasta do Turismo. “A expectativa é de que o próximo verão, com a vacina, seja o maior volume de turismo da história do turismo doméstico”, declarou. Segundo ele, o setor “vai voltar forte”.

Outros países também têm apresentado pesquisas para a produção do medicamento