Cenário preocupante com registro de aumento das mortes por covid-19

Cezar Negreiros

Somente nas três semanas que passaram o estado contabilizou 157 mortes por covid-19, enquanto nos dois meses anteriores somava apenas 148 mortes por causa da doença. Com base nestes indicadores disponibilizados pelo Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), as unidades hospitalares registraram mais de sete óbitos por dia por conta do pico da pandemia nos municípios de Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Em apenas um dia (dia 23) foram registrado no estado nove mortes por causa da doença, enquanto no mesmo período de 2017 durante a guerra das facções  tinha sido contabilizado 1.3 óbitos por 100 mil habitantes.   

De acordo com o Comitê  de Prevenção e Contenção da Covid-19 da Universidade Federal do Acre (Ufac), os dados nos últimos dias vinham registrado uma queda da mortandade, mas na última terça-feira registrou um número elevado de mortes por causa da doença. O motivo de maior preocupação das autoridades que continua sendo o crescimento dos casos de infectados, pois na semana passada chegava em torno de 1.739 novos casos da doença, na semana anterior chegava a casa dos 1.659 casos de contaminados por causa da doença. Até o último dia 22 deste mês foram contabilizados 5.320 novos casos, que corresponde uma média diária de e 241,8 pessoas infectadas.

O boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde apontava que até o dia 17 de abril deste ano, o Acre registrava apenas 153 casos de covid-19 e cinco mortes, no último dia 17 de maio já contabilizava 1.867 casos e 59 óbitos e no último dia 17 de junho chegava com 10.339 infectados e  281 mortes. A semana passada contabilizou 41 óbitos, mas na semana anterior registrou 52 mortes que corresponde por uma redução de quase 30% dos casos de mortandade.

Para o professor Foster Brown, pesquisador da Universidade Federal do Acre e do Woods Hole Research Center, a situação epidemiológica ainda inspira muitos cuidados.  O cenário aponta que para chegar ao pico da doença no estado, pelo menos 70% da população precisaria já ter contato com o coronavírus, o segundo ponto que permitiria as autoridades baixar à guarda seria a descoberta de uma vacina que pudesse imunizar a população.  “Como não temos nenhuma solução para os dois cenários descritos, a melhor segurança é o isolamento social”, defendeu o professor universitário.

A capital acreana desponta com 232 mortes, seguido de Cruzeiro do Sul, com 31 óbitos. Os municípios de Epitaciolândia, Brasileia,  Plácido de Castro e Porto Acre, com 6 mortes; Senador Guiomard, Assis Brasil  e Capixaba, com  5; Feijó e Rodrigues Alves, com  4; Tarauacá, Xapuri  Mâncio Lima e Acrelândia, com 3 óbitos;  Sena Madureira, com 2;  Bujari  e Santa Rosa do Purus 1 óbito.