Coluna Acre em Foco

Mentira e corrupção

O deputado Leo de Brito (PT-AC), um dos três parlamentares do PT no Conselho de Ética da Câmara, recomendados pela bancada do partido para votar pela admissibilidade do processo de cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por mentira e corrupção, foi cirúrgico ontem ao falar sobre o presidente da Câmara.

 

Afastamento necessário

Leo de Brito foi direto: usando as mais variadas manobras, o presidente da Eduardo Cunha simplesmente não quer ser julgado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados do Brasil. E o petista acriano também deu a solução: só o afastamento de Cunha do cargo, nem que seja temporário, permitirá ao Conselho julgá-lo.

 

Presidente tirano

“Tirano” é como o deputado do PT do Acre costuma classificar o atual presidente da Câmara desde que começou a perceber que o peemedebista do Rio de Janeiro veio para reinar em absoluto numa das casas do Congresso, passando por cima de tudo e de todos para fazer valer as suas vontades e suas metas políticas.

 

Somatório de decisões

A tirania de Eduardo Cunha, descoberta por Leo de Brito e pela maioria dos 513 deputados da Câmara, veio à tona com o somatório das decisões que ele tomou para colocar em votação pautas retrógadas aos avanços alcançados pela política brasileira ou pautas fomentadoras de mais corrupção nesta mesma política.

 

Por cima de tudo

Passando por cima do regimento, das leis e até mesmo da Constituição, Eduardo Cunha pintou e bordou dentro da Câmara, votando por várias vezes matérias até elas serem aprovadas, tirando matérias das pautas de votações ou impondo matérias sem interesse para a população e para o Congresso.

 

Parando o país

O fato é que, mesmo sendo acusado de ter mentido na CPI da Petrobras e de ter desviado milhões de dólares para contas secretas na Suíça, Eduardo Cunha simplesmente está parando não só o Conselho de Ética, como a Câmara dos Deputados e até mesmo o próprio país, que não vai se recuperar da crise econômica enquanto a crise política perdurar.

 

Sem votação e brigas

Na Câmara, vale lembrar que desde que Cunha decidiu apresentar o pedido de impeachment da presidenta Dilma, em vingança ao fato do PT ter decidido fechar questão contra ele no Conselho de Ética, nada se vota no plenário, enquanto deputados pró e contra ele se engalfinham em lutas corporais no Conselho de Ética.

 

Pedido fajuto

Dando crédito a um pedido de impeachment fajuto, que não aponta sequer um crime de responsabilidade por parte da presidenta, Eduardo Cunha fez subir o seu cacife de jogado às traças do Conselho de Ético para herói da oposição comandada pelo PSDB do derrotado Aécio Neves, que parece não desistir nunca de ganhar de Dilma no tapetão.

 

Só falta apelar ao Papa

A confusão e as ilegalidades cometidas pelo presidente da Câmara dos Deputados chegaram a tal nível que tanto o presidente do Conselho de Ética, o deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), quanto todos os aliados da presidenta Dilma, da ética e do decoro parlamentar só faltam apelar para o Papa para retirá-lo do Congresso, de onde todos desejam que ele saia preso.

 

Um basta do STF

A esperança de todos do lado do governo da presidenta Dilma, legitimamente eleita em outubro do ano passado, é que o Supremo Tribunal Federal dê um basta na próxima quarta-feira nas arbitrariedades e ilegalidades cometidas por Eduardo Cunha, que já é um dos presidentes da Câmara que mais tem sido contestado na mais alta corte de Justiça do país.

 

Seriedade e responsabilidade

Já cansados de decidirem sobre atos ilegais praticados pelo presidente da Câmara, os ministros do STF, que vão ditar todo o rito do impeachment chancelado por ele contra Dilma, certamente vão chamá-lo à responsabilidade e à seriedade exigidas para o cargo que ocupa. Atributos que Cunha não usou até agora, fazendo de palhaços até aqui 200 milhões de brasileiros.