Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

Balde de água fria

No dia em que a cúpula do PMDB decidiu que o partido deve sair do governo, coube a um importante peemedebista do Congresso Nacional jogar um balde de água fria na ânsia do partido do vice-presidente Michel Temer (PMDB) de dar o golpe no mandato legítimo de Dilma Rousseff para ele assumir a Presidência da República.

 

Renan Calheiros

Trata-se do presidente do Senado Federal, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que não só não compareceu à reunião de três minutos do desembarque peemedebista, como admitiu que, caso o impeachment passe na Câmara, o processo do golpe branco pode demorar para ser decidido no Senado por até seis meses, conforme prevê a Constituição brasileira.

 

Até seis meses

“Se esse processo (de impeachment) chegar ao Senado, e eu espero que não chegue, nós vamos, juntamente com o Supremo Tribunal Federal (STF), decidir o calendário. A Constituição prevê que esse julgamento aconteça em até seis meses”, disse Calheiros, que vai comandar o processo que, só se for aprovado no Senado, pode afastar a presidenta Dilma do Palácio do Planalto.

 

Não influenciar

Prometendo que conduziria o processo com isenção, definindo o calendário de tramitação do impeachment em conjunto com o Supremo Tribunal Federal, Renan Calheiros disse que não compareceu à reunião do desembarque do PMDB para que seu cargo de presidente do Senado não influenciasse a reunião peemedebista de ontem do desembarque.

 

Papel difícil

“Não fui (à reunião do PMDB) para não influenciar de alguma forma. Eu cumpro o mais difícil papel que é, no momento historicamente conturbado, conduzir o Senado Federal com independência, isenção e equilíbrio”, afirmou Renan Calheiros, considerado um dos mais fortes peemedebistas favoráveis ao governo, que não deve se afastar de Dilma junto com outros parlamentares peemedebistas.

 

Analistas políticos

Analistas políticos isentos do Congresso disseram que os seis meses previstos por Renan Calheiros para a tramitação do impeachment presidencial no Senado é um tempo razoavelmente longo, suficiente, por exemplo, para até o próprio PMDB, o PP e outros partidos divididos contra e a favor do golpe sofrerem reveses sérios da crise política que se abate sobre todas as agremiações partidárias.

 

Listas de propinas

Os reveses viriam com o avançar do julgamento de duas listas de propinas envolvendo centenas de políticos que já se encontram no Supremo Tribunal Federal e são acusados ou com fortes indícios de terem recebido propinas das empresas investigadas pela Operação Lava Jato ou diretamente da empresa Odebrecht, onde foi descoberto uma lista de propinas envolvendo mais de 250 políticos.

 

Centena de parlamentares

Isso significa que até a final do processo de impeachment no Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal já pode ter concluído o julgamento de mais de uma centena de deputados e senadores do PMDB, do PP e de outros partidos, desfalcando essas agremiações de parlamentares que votariam a favor do processo de afastamento da presidenta Dilma.

 

Julgamento no STF

Nesse caso, as oposições dificilmente teriam dois terços ou 54 senadores dos 81 existentes no Senado para conseguirem aprovar o afastamento da presidenta Dilma, que passaria a ser julgada apenas juridicamente pela Suprema Corte do país, o que abriria ainda brecha para ela ser inocentada e ser reconduzida novamente à Presidência da República antes do final de seu mandato.

 

Chances concretas

Antes de todas essas previsões, há também analistas políticos que vêm chances concretas da presidenta Dilma e do ex-presidente Lula recomporem as bases do governo o suficiente para conseguirem os mais de 171 votos de parlamentares necessários para evitar que o mandato presidencial seja interrompido ainda na Câmara dos Deputados.

 

PMDB pró-governo

Ou seja, tudo pode ocorrer nas próximas semanas no Congresso Nacional envolvendo o processo de impeachment, pois a decisão tomada ontem pela cúpula do PMDB, comandada pelo réu de corrupção no TRF, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não significa que todos os deputados federais do partido irão votar pelo impeachment. O governo espera contar com vários deputados peemedebistas.