Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

Impeachment de Temer

A novidade de ontem na crise política do país foi a decisão tomada pelo ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação Cid Gomes (PDT) de protocolar na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment do vice-presidente da República, Michel Temer, acusado por todo o país de comandar o golpe branco contra a presidenta Dilma para assumir o seu lugar no Palácio do Planalto.

 

Sem chancela de Cunha

No documento, o ex-governador, que é irmão do ex-ministro e provável candidato a presidente da República em 2018, Ciro Gomes, solicita que o presidente da CâmaraEduardo Cunha (PMDB-RJ), não analise o pedido de afastamento. Para Cid Gomes, como Cunha foi denunciado por fatos relacionados à Operação Lava Jato, quem deve decidir é o vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PMDB-MA).

 

Operação Lava Jato

Cid Gomes afirma no seu pedido de impeachment que o vice-presidente e o PMDB são mencionados nas investigações da Operação da Lava Jato. O ex-governador cita na peça uma mensagem de texto identificada no celular do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, no qual foi mencionado o pagamento de R$ 5 milhões a peemedebistas.

 

R$ 5 milhões em propina

“Foi revelado, por força da Operação Catilinárias (uma das fases da Operação Lava Jato), o pagamento da quantia de R$ 5 milhões ao denunciado, valor cuja suspeita de origem ilícita é marcante, mormente pelas insuficientes explicações ofertadas pelo denunciado após a revelação de mensagens sobre o pagamento de tal quantia, por parte do senhor Léo Pinheiro”, assinala Gomes.

 

Responsabilizado

Embora não haja no pedido de impeachment citação a recebimento direto de propina por parte do vice-presidente Michel Temer, o ex-governador do Ceará diz que o vice-presidente da República deve ser responsabilizado pelas denúncias que envolvem o PMDB e seus integrantes, já que é presidente nacional do partido.

 

Democracia ameaçada

Enquanto isso, a presidenta Dilma Rousseff considerou ontem que a democracia no Brasil está “ameaçada” e que as regras do jogo não podem ser rompidas, porque, caso contrário, torna a relação entre as pessoas “problematizada”. Ela lembrou que, na ditadura, a relação é de imposição e que não há democracia “quando o direito de alguns é atropelado pelo arbítrio de outros”.

 

Todos vigilantes

“Hoje, precisamos nos manter vigilantes e oferecer resistências às tendências antidemocráticas e às provocações. Nós não defendemos qualquer processo de perseguição de qualquer autoridade porque pensa assim ou assado. Nós não defendemos a violência. Eles [os opositores] defendem. Eles exercem a violência. Nós, não. Sem democracia, a estrada das lutas pela igualdade, contra o preconceito será muito mais difícil”, assinalou a presidenta.

 

Sem mancha

Por isso, segundo Dilma Rousseff “nós não vamos permitir que nossa democracia seja manchada”, disse Dilma, ao discursar no Palácio do Planalto para uma plateia de representantes de movimentos sociais e sindicais ligados ao campo e integrantes de comunidades quilombolas e do movimento negro que gritaram “Não vai ter golpe, vai ter luta” e “Viva a democracia”.

 

Desapropriações

No evento no Palácio do Planalto, Dilma assinou 25 decretos de desapropriação de imóveis rurais para reforma agrária e regularização de territórios quilombolas, no total de 56,5 mil hectares. Segundo a presidenta Dilma, 21 decretos vão assegurar 35,5 mil hectares de terras para a reforma agrária em 14 estados.

 

Regularizações

Na cerimônia no Palácio no Planalto, também foram assinados quatro decretos de regularização de territórios quilombolas, atendendo a 799 famílias no Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe, somando 21 mil hectares. Esta semana, Dilma também recebeu o apoio de intelectuais e artistas e de movimentos sociais ligados à moradia.

 

Contra o golpe

Na última quinta-feira, ocorreram manifestações nas 27 capitais brasileiras e em outras grandes cidades do país contra o golpe que a oposição tenta aplicar no mandato da presidenta Dilma com o apoio e sob o comando do vice-presidente Michel Temer, que quer tomar o seu lugar no Palácio do Planalto.