Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

Leo de Brito

Em entrevista exclusiva ao jornal A Tribuna, o deputado federal Léo de Brito (PT-AC), um dos mais atuantes da bancada acreana tanto no plenário quanto nas comissões técnicas da Câmara Federal, fala das graves consequências para a população carente do país dos cortes que Michel Temer, caso assuma a Presidência, fará nos programas sociais e direitos dos trabalhadores.

 

Coisas ruins

“São muitas coisas ruins que virão nesse momento e já estamos denunciando para a opinião pública o que esse futuro governo golpista e ilegítimo poderá fazer com a população deste país”, sentencia Leo de Brito, ao dizer que foi isso que Temer deixou a entender no vídeo em que antecipa ações de governo antes mesmo da presidenta Dilma ser golpeado pelo Congresso Nacional.

 

Direitos sociais

Segundo Leo de Brito, além de reduzir recursos e acabar com os direitos sociais conquistados pela população carente nos últimos 13 anos dos governos Dilma e Lula, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e universidades pagas para os mais pobres, um possível governo Temer vai por fim à desvinculação das receitas da saúde e da educação, piorando o atendimento nos dois setores.

 

Censura prévia

O Portal Brasil 247 denunciou ontem que, na tentativa de evitar que os principais líderes mundiais tomem conhecimento do momento político em curso no Brasil, com ameaça à democracia, a oposição está partindo agora para a censura prévia, querendo impedir na Justiça que a presidenta Dilma denuncie amanhã ao mundo o golpe contra o seu mandato popular.

 

Dilma na ONU

Segundo o portal, a presidente Dilma pretende fazer um discurso duro contra o impeachment na cerimônia de assinatura do Pacto de Paris, prevista para ocorrer amanhã em Nova York, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), que também já se manifestou contra o golpe contra o mandato legítimo e democrático da presidenta brasileira.

 

Eleição indireta

Na entrevista que concedeu na última terça-feira a jornalistas estrangeiros sediados no Brasil, com emissão para 56 países, a presidenta Dilma Rousseff reforçou que o processo admitido no domingo passado pela Câmara dos Deputados não é de impeachment, mas de tentativa de eleição indireta no país. Ou seja, um golpe institucional.

 

Denúncia do golpe

O líder da bancada do DEM na Câmara, deputado federal Pauderney Avelino (AM), criticou o discurso que a presidenta Dilma deve fazer nos EUA. “Acho que é um erro grave que ela comete. Ela vai a Nova York com o fim único e exclusivo de denunciar um suposto golpe que ela tenha sido vítima. Esse papel de vítima não cabe”, assinalou Avelino.

 

Deputado condenado

Em março deste ano, o demo Pauderney Avelino foi alvo de uma condenação do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), que determinou a devolução de R$ 4,6 milhões aos cofres da prefeitura de Manaus, além de uma multa de R$ 23 mil. Segundo auditoria do TCE, Avelino praticou sobrepreço nos contratos de aluguéis de prédios usados como escolas no período em que foi secretário de Educação de Manaus.

 

Senador cassado

Outro oposicionista a criticar a conduta da presidente foi o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que perdeu a moral para falar de corrupção desde que teve seu mandato de governador da Paraíba cassado por ter distribuído ilegalmente 35 mil cheques de dinheiro público a cidadãos carentes, durante a campanha eleitoral em 2006.

 

Sem legitimidade

“Michel Temer não tem legitimidade para assumir a cadeira presidencial, pela simples e boa razão de que sua ascensão é fruto de uma manobra contra a Constituição. Seria esta uma razão para pedir eleições antecipadas? Não”, afirma o jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do Portal Brasil 247, em artigo divulgado na publicação.

 

Consciência democrática

Segundo o jornalista, “o aspecto positivo das jornadas de resistência, que revelaram uma consciência democrática que parecia adormecida, foi a reconstrução de uma aliança de massas, capaz de reconstruir um pacto entre trabalhadores e segmentos progressistas das camadas médias, que lembrou os períodos decisivos da luta contra o regime militar”.