Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

Dilma Rousseff

Enquanto o golpe avança sobre a democracia brasileira, a presidente Dilma Rousseff voltou a denunciar ontem a eleição indireta que querem impor ao Brasil e a todos os 110 milhões de brasileiros que foram às urnas em 2014 escolher, de forma livre e soberana, o presidente da República pelo voto.

 

Luta até o fim

Durante abertura da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, Dilma disse que irá lutar até o fim para garantir que a democracia seja respeitada e chamou o processo contra ela de “eleição indireta, falsificada de impeachment”. Também deixou claro que sua retirada do cargo sem crime de responsabilidade fere os direitos de todos os brasileiros que foram às urnas nas eleições de 2014.

 

Eleitores roubados

“Nós não vamos deixar que encurtem o caminho ao poder, através de uma eleição indireta, falsificada de impeachment. O que está em questão não é apenas 54 milhões de votos. São todos aqueles que compareceram às eleições, que são 110 milhões de brasileiros. Eles também serão roubados”, afirmou Rousseff.

 

Pecado original

“Não podemos desrespeitar eleições diretas no Brasil. Se aceitar isso, estaremos desrespeitando o povo brasileiro”, reforçou a presidente da República, ao criticar novamente o presidente da Câmara dos Deputados, que é réu no Supremo Tribunal Federal por roubo de dinheiro público. Ela disse que Cunha é o “pecado original” do processo de impeachment.

 

Grupo de ladrões

Todos os dias, jornais do mundo inteiro aderem à tese de que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff não passa de um golpe de Estado patrocinado por um grupo de ladrões infiltrados no Congresso Nacional, que quer acabar com a total liberdade que o atual governo brasileiro vem dando às instituições para combater a corrupção no país.

 

Demônios do passado

Ontem, foi a vez do principal jornal da França, o Le Monde, falar da crise política brasileira. O jornal publicou artigo de Laurent Vidal, professor da Universidade de La Rochelle, dizendo que “destituir Dilma Rousseff não resolverá nada”, porque “esse país do futuro” está acorrentado a demônios do passado.

 

Aécio inconformado

O professor citou o chamado escândalo do Mensalão e casos de corrupção envolvendo membros do PSDB, principal partido de oposição. Ele lembrou que o perdedor de 2014, o tucano Aécio Neves, nunca aceitou sua derrota e tentou criar a ideia de que Dilma foi eleita por um Brasil arcaico, sensível aos apelos populistas, sobretudo pelo Norte e Nordeste.

 

Desprezo social

“Nada é mais falso do que isso”, diz Vidal, para quem a crise política do país mostra sobretudo uma forma de desprezo social que parece ter se instalado na sociedade brasileira. “O excluído não é mais aquele que sofre de carências materiais, mas o que não é reconhecido como um sujeito digno de se pronunciar sobre uma escolha política e social”, completou o professor.

 

Relator suspeito

Enquanto isso, em Minas Gerais, o deputado estadual Rogério Correa (PT) afirmava ontem que o senador Antônio Anastasia (PSDB), relator do processo do golpe contra a presidente Dilma no Senado Federal, também fez suplementação orçamentária acima do fixado pela LDO quando governou Minas Gerais.

 

Tomando partido

“O ex-governador Anastasia não tem a menor condição de ser ele o relator de caso que ele próprio cometeu em Minas Gerais, quando era governador”, afirmou o deputado, ao lembrar que Anastasia também já declarou publicamente seu voto favorável ao impeachment de Dilma. “Como ele pode julgar alguém se ele já declarou que prefere o impeachment, por fatores políticos?”, indagou o deputado.

 

Obstrução na Câmara

Deputados do PT, PCdoB e Rede prometeram ontem obstruir os trabalhos legislativos a partir desta semana até que seus pleitos sejam atendidos. Eles estão mobilizados para combater o impeachment da presidente Dilma Rousseff, pressionar pelo afastamento do presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e pelo acolhimento do pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer