Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

 

Brasil enlouqueceu

“Que desastre, que loucura, que irresponsabilidade”, foi o que disse ontem Luiz Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB, economista e ex-ministro da Fazenda dos governos Sarney e FHC ao criticar ontem a oposição pelo golpe de Estado que está dando no país para tirar a presidenta da República sem crime de responsabilidade.

 

Retrocesso no país

O ex-ministro alertou para o risco de retrocesso que o país está assumindo com o golpe em curso no Senado. “O Brasil perdeu o rumo. Em nome do combate à corrupção, estamos trocando um presidente sobre o qual não há qualquer processo, por um vice-presidente envolvido sob diversas maneiras na Operação Lava Jato”, disse Pereira.

 

Irresponsabilidade

Bresser Pereira também criticou a eventual mudança de Nelson Barbosa por Henrique Meirelles na Fazenda e chamou de “irresponsabilidade” a atuação conjunta da oposição, tendo à frente o PSDB do senador Aécio Neves (MG) e o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do deputado federal Eduardo Cunha.

 

Democracia desestabilizada

“Aécio Neves, Eduardo Cunha e Michel Temer, PSDB e PMDB, a direita e a classe média tradicional venceram. Paralisaram o Brasil, desestabilizaram a democracia, tornaram o país sujeito a crises políticas sempre que a popularidade do presidente da República cair, trocaram o acordo pela luta de classes, mas satisfizeram seu desejo de poder”, assinalou o ex-ministro.

 

Propinas do PSDB

Enquanto isso, o ministro Teori Zavascki, do STF, enviou ontem ao juiz Sérgio Moro as citações feitas pelo senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), em seu acordo de delação premiada, que apontam o pagamento de propina de US$ 10 milhões em um projeto da Petrobras referente à compra de máquinas da empresa Alstom durante o governo tucano de FHC.

 

Governo FHC

O depoimento de Delcídio suscitou nos investigadores a suspeita de que a compra dos equipamentos da Alstom tenha envolvido o pagamento de propinas por parte da Petrobras entre os anos de 1999 e 2001. Teori justificou o envio do material ao juiz Sérgio Moro alegando que as declarações de Delcídio “não revelam envolvimento direto de pessoa com prerrogativa de foro”.

 

CPMF vai voltar

Em análise sobre o possível governo de Michel Temer, o Portal 247 assinalou ontem que o Congresso dará ao peemedebista tudo o que negou à presidenta Dilma, começando pela volta da CPMF e a reforma da Previdência, com o apoio de partidos como o PSDB, que sabotaram todas as iniciativas do segundo governo da presidenta Dilma.

 

Pedido de inquéritos

Enquanto o golpe caminha firme no Senado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também com base na delação premiada do senador Delcídio Amaral, enviou ontem ao Supremo Tribunal Federal pedido para que sejam abertos inquéritos contra o senador Aécio Neves e a cúpula do PMDB no Senado, incluindo Romero Jucá (RR), Jader Barbalho (PA), Valdir Raupp (RO) e Renan Calheiros (AL), presidente da casa.

 

Propina para Aécio

Caso o o ministro Teori Zavascki determine o início das investigações, Aécio Neves passará a ser oficialmente investigado pela Lava Jato, pesando contra ele duas linhas de investigação: uma envolvendo suposto recebimento de propina de Furnas e a outra sobre maquiagem de dados do Banco Rural em CPI para esconder irregularidades envolvendo o PSDB.

 

Vazamento seletivo

Além do pedido feito ontem pelo procurador-geral da República, o senador Aécio Neves foi denunciado por desvio de dinheiro público em várias delações premiadas da Lava Jato, que só não foram detalhadas porque o juiz Sérgio Moro, os procuradores da República e a Polícia Federal sempre praticaram na operação o vazamento para a mídia de informações apenas de políticos ligados ao governo.

 

Eixo da orquestração

A seletividade do vazamento de informações sobre as delações ocorridas no âmbito da Operação Lava Jato foi um dos eixos básicos da orquestração que Aécio Neves, José Serra, FHC, Sérgio Moro, o ministro Gilmar Mendes e a TV Globo vêm promovendo desde o início do ano passado para golpearem, em definitivo, o mandato da presidenta Dilma.