Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

 

Bomba no Congresso

O afastamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de Eduardo Cunha do mandato e da presidência da Câmara dos Deputados caiu como uma bomba não só na cabeça do deputado carioca réu no STF, como nas cabeças da maioria dos políticos em Brasília que tem contas a prestar com a Justiça.

 

Culpa no cartório

Só para se ter uma ideia do impacto desta decisão no mundo político, basta lembrar que quase 90% dos 367 deputados federais que votaram em favor do golpe contra o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff respondem a um ou mais crime na Justiça, seja federal ou estadual ou em ambos as instâncias de Justiça.

 

Lista das propinas

Outro exemplo do alcance da decisão do STF de suspender o mandato do presidente da Câmara por obstrução da Justiça e por roubos através da Lava Jato são os quase 310 políticos com mandato que se encontram na lista do departamento de propina montado pela empresa Odebrecht e que está sendo investigada também pelo STF.

 

Cabelo em pé

Se a decisão do STF deixou a maioria dos deputados e senadores apavorada no atacado, no varejo até os próprios líderes dos partidos da oposição também ficaram de cabelo em pé, como foi o caso dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Romero Jucá (PMDB-AP) e José Agripino (DEM-RN), entre outros líderes

 

Envolvidos

Envolvidos até os pescoços em denúncias de recepção de propinas de empresas investigadas na Lava Jato, os três líderes da oposição, que comandaram suas bancadas para golpear o mandato contra Dilma na Câmara dos Deputados, passaram a ter certeza de que também podem ter seus mandatos suspensos e até cassados.

 

Aécio escapuliu

Maior líder do golpe contra Dilma no Congresso e citado em seis delações como receptor de propinas, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado pela presidenta da República nas eleições de 2014, foi o primeiro a se calar e a sumir de cena logo no começo da manhã de ontem, quando se divulgou a punição imposta pelo STF ao “todo poderoso” ex-presidente da Câmara.

 

Sumiço e silêncio

Aliados de primeira hora de Eduardo Cunha e do vice-presidente Michel Temer para golpear a presidenta Dilma, o comportamento de Aécio Neves foi copiado por outros líderes nacionais do PSDB, como o senador José Serra (PSDB-SP) e o líder do partido na Câmara, deputado Antônio Imbassahy (BA). O mesmo sumiço e silêncio sepulcro foi compartilhado pelo ex-presidente tucano FHC e o governador paulista Geraldo Alckmin.

 

Decisão demorada

Do lado dos deputados e senadores aliados do governo, o comportamento foi o de aplaudir a punição imposta a Eduardo Cunha pelo STF, embora a maioria tenha lamentado ela ter chegado só depois do golpe dado na Câmara por deputados da oposição e de ex-aliados do governo da presidenta Dilma Rousseff.

 

Apagando a prova

Alguns governistas mais radicais também propagaram que a decisão do STF, que demorou para punir Cunha e outros golpistas, nada mais foi do que uma ação do Judiciário para apagar a “prova do crime” que o bando de ladrões, tendo à frente o vice-presidente Michel Temer, está cometendo contra o mandato legítimo e democrático de Dilma.

 

Golpe das togas

Nas redes sociais, por exemplo, a seletividade do Judiciário brasileiro de vazar informações e só investigar e prender políticos ligados ao governo do PT está sendo classificada como – em vez de ser aplicado com as armas da ditadura militar – o golpe emplacado pelos senhores que vestem togas.

 

Contribuição

Para líderes dos movimentos sociais e sindicais, a demora e a seletividade do Judiciário brasileiro, mais particularmente partindo do juiz federal Sérgio Moro da Lava Jato e dos ministros do STF, contribuíram diretamente para criar o clima de protestes e de golpe contra a presidenta eleita por 54 milhões de brasileiros.