Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

Senado repete a Câmara

A exemplo do que ocorreu na Câmara dos Deputados, onde a grande maioria dos 367 deputados federais que votou pela admissibilidade do golpe de Estado está implicado em acusações de crime de desvio de dinheiro público, a mesma coisa aconteceu ontem no Senado da República, onde a maioria dos senadores defendeu o golpe institucional contra o mandato legítimo da presidenta Dilma, afastando-a do seu mandato por seis meses.

 

Senadores investigados

Os arquivos do Supremo Tribunal Federal e os documentos da Operação Lava Jato, como a lista do “departamento de propina” da empreiteira Odebrechet, também voltaram a confirmar que a maioria dos senadores é suspeita de praticar crimes que, pelo menos eticamente, não lhes permitiriam julgar a presidenta da República por prática de crime.

 

Improbidade administrativa

Também contribuiu para isso um levantamento feito pela BBC Brasil e pela organização não-governamental Transparência Brasil divulgado ontem, que revelou que 58% dos senadores que se encontravam ontem no plenário do Senado respondem por investigações em casos de improbidade administrativa e/ou corrupção passiva.

 

Gladson e Petecão

É o caso de dois dos três senadores que representam hoje o Acre na casa legislativa federal que representa os Estados brasileiros. São eles os senadores Gladson Cameli (PP) e Sérgio Petecão, ambos investigados atualmente em crimes de desvio de dinheiro público pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas ambos se declararam favoráveis ao golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff.

 

Propina da Lava Jato

O início da investigação contra Gladson Cameli ocorreu recentemente ao ter seu nome envolvido na lista encaminhada ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de 49 deputados e senadores acusados de terem recebido propinas periódicas de empresas investigadas pela Operação Lava Jato.

 

Propinas mensais

Segundo sustenta a Procuradoria Geral da República, Gladson Cameli, como deputado federal na legislatura anterior, recebeu por vários anos propinas entre R$ 30 mil e R$ 150 mil repassadas mensalmente por empresas que comandaram o esquema de corrupção milionário dentro da Petrobras com a ajuda de ex-dirigentes da estatal petrolífera.

 

Desvio de dinheiro

Já a denúncia contra o senador Sérgio Petecão é uma das mais antigas que ainda tramitam, sem nenhuma solução até agora, no Supremo Tribunal Federal. O senador pelo PSD acreano foi acusado de ter desviado significativo volume de dinheiro público na época em que presidiu, há quase 10 anos, a Assembleia Legislativa do Acre.

 

Mesa ou gaveta?

Quanto à denúncia contra Petecão, se destaca a informação dada há quatro anos pelo então presidente do STF, Ayres Brito, antes de deixar a corte há quatro anos, de que o inquérito contra o senador acreano estava em cima de sua mesa para ser efetivamente relatado e julgado pela mais alta corte de Justiça do país. E até hoje continua em cima da mesa, se já não foi para alguma gaveta daquela corte.

 

Jorge Viana

Ontem, durante a votação do golpe no Senado, coube destaque ao discurso feito pelo senador Jorge Viana, terceiro senador do Acre, ao se posicionar contrário ao golpe institucional cometido contra o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros e que, segundo ele, não praticou nenhum crime de responsabilidade.

 

Defesa do mandato

Jorge Viana fez uma defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, argumentando contra a admissibilidade do pedido de impeachment. Segundo ele, o “brasileiro tolera traição, mas não perdoa o traidor”. Viana disse ainda que o Senado teve ontem a oportunidade de dizer não ao golpe e sim à Constituição.

 

Voto popular

“Não é justo o que estão fazendo com a democracia neste País. Não estão cassando apenas o mandato da presidenta Dilma, estão cassando a soberania do voto popular”, disse, para completar, em seguida. “Dizem que estamos vivendo a normalidade institucional. Discordo. Estamos vivendo um momento de muita gravidade, momento crítico. Nós estamos vivendo uma anarquia institucional nesse País”, completou Viana.