Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

 

PMDB na prisão

Antes mesmo de completar um mês à frente do comando administrativa interino do país, o PMDB, maior partido do Congresso brasileiro, simplesmente foi implodido ontem com a notícia-bomba de que quatro dos seus maiores caciques nacionais podem simplesmente ser presos a qualquer momento por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Caciques peemedebistas

Os caciques são o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo mandato está na berlinda para ser cassado, também a qualquer momento, pelo Conselho de Ética e pelo plenário da Câmara.

 

Quatro prisões

Os pedidos das quatro prisões foram encaminhados há uma semana ao STF por nada menos que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que comanda as investigações de centenas de políticos nacionais envolvidos na Lava Jato e em outras operações destinadas a investigar, julgar e prender corruptos no país.

 

Conta a Lava Jato

Renan, Sarney e Jucá podem ser presos porque foram flagrados tramando contra a Lava Jato em conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Os pedidos de prisão já estão com o ministro Teori Zavascki. Por causa da sua idade avançada, Janot pediu que Sarney fique em prisão domiciliar, passando a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

 

Afastamento de Renan

O procurador Rodrigo Janot também pediu ao Supremo Tribunal Federal o imediato afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado, usando argumentos similares aos empregados no pedido de destituição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal, o que acabou sendo atendido pelo STF.

 

Interferência indevida

A razão do pedido de prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha não é a tentativa dele de atrapalhar as investigações da Lava-Jato, e, sim, por conta de que a decisão de Teori, em maio, de afastá-lo da presidência da Câmara e do mandato, não surtiu efeito e o deputado continuou interferindo no comando da casa.

 

Ficha de acusações

Cunha foi afastado do comando da Câmara e do seu mandato de deputado por tentar atrapalhar a Lava Jato e por ser portador de uma longa ficha de acusações de corrupção. Cunha foi citado como destinatário de propina por pelo menos sete delatores. Em razão das acusações, já responde a um processo e pelo menos quatro inquéritos no âmbito da Lava-Jato.

 

Maior gravidade

Segundo publicou ontem o jornal O Globo, que deu a notícia dos pedidos de prisões dos figurões peemedebistas, os indícios de conspiração, captados nas gravações e reforçados pelas delações de Sérgio Machado e de seu filho Expedito Machado, são considerados por investigadores mais graves que as provas que levaram Delcídio Amaral (PT-MS) à prisão em novembro do ano passado.

 

Toda a Lava Jato

Segundo o jornal carioca, o ex-senador Delcídio Amaral, que teve seu mandato cassado por unanimidade em maio passado, tentou manipular apenas uma delação, a do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, enquanto Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá planejavam derrubar toda a Operação Lava Jato.

 

Propina milionária

Nos depoimentos que prestou, após firmar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, o ex-senador peemedebista Sérgio Machado disse que distribuiu R$ 70 milhões em propina para Renan, Sarney e Jucá, entre outros políticos do PMDB durante os 12 anos que esteve à frente da Transpetro, segundo revelo o Globo na última sexta-feira.

 

Mudança da lei

Nas conversas gravadas por Sérgio Machado, Renan, Jucá e Sarney aparecem discutindo medidas para interferir na Lava-Jato. Padrinho político de Machado e alvo central da delação do ex-presidente da Transpetro, Renan sugere mudar a lei para inibir a delação premiada. A delação tem sido usada em quase todos os inquéritos abertos na Lava-Jato, inclusive os instaurados contra o presidente do Senado.