Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

 

As ruas contra Temer

Com apenas 11% de aprovação popular na última pesquisa nacional de opinião, o presidente interino Michel Temer enfrentou ontem em quase todo o Brasil a primeira grande manifestação de rua contra o seu governo, que está tendo um dos inícios mais conturbados e desaprovados da história do país.

 

Brasil grita “Fora Temer”

Aos gritos e com cartazes pedindo “Fora Temer”, centenas de milhares de pessoas foram às ruas de 23 estados e no Distrito Federal e 37 grandes cidades do território nacional para defender a saída do presidente interino e os direitos sociais e trabalhistas, que estão sendo ameaçados de sofrerem cortes pelo governo que todos “consideram golpista e elitista”.

 

100 mil em São Paulo

A grande concentração se deu em São Paulo, onde quase 100 mil pessoas ocuparam quatro quarteirões da Avenida Paulista gritando palavras de ordem contra Temer e seu Ministério e ouvindo o ex-presidente Lula declarar que está chegando a hora da queda do governo ilegítimo do vice-presidente de Dilma Rousseff.

 

Governo corrupto

Nos protestos de ontem, acompanhados de carros de som e de show de artistas, os manifestantes demonstram a total insatisfação contra a gestão do presidente interino, que tem sido recheada de denúncias de corrupção e de ministros corruptos e uma constante retirada de direitos da classe trabalhadora brasileira.

 

Pautas negativas

Em São Paulo, os manifestantes denunciaram que Temer escondeu que o afastamento ilegal da presidenta Dilma Rousseff serviria para reformar a Previdência, arrochar os direitos dos trabalhadores, desvincular os orçamentos da educação e da saúde e suspender programas sociais como Minha Casa, Minha Vida, FIES, Prouni e Pronatec, além criminalizar e perseguir os movimentos sociais.

 

Protestos do exterior

Os protestos contra o governo golpista de Michel Temer, que tem oito ministros citados como ladrões na Operação Lava Jato, extrapolaram o território brasileiro e ocorreram de também em cidades da Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Portugal, Canadá, Inglaterra, Argentina, Equador e Dinamarca.

 

Apoio às prisões

As manifestações também apoiaram os pedidos feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que sejam executadas as prisões de quatro membros da cúpula do PMDB envolvidos no plano de retardar as investigações e até acabar com as ações da Operação Lava Jato contra a corrupção no país.

 

Cúpula do PMDB

Os quatro peemedebistas que Rodrigo Janot quer ver presos por atentados contra a Operação Lava Jato e por recepção de propinas são o presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador Romero Jucá, o presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e o ex-presidente José Sarney. Eles foram gravados pelo ex-presidente da Transpetro por tramarem o golpe contra Dilma e a Lava Jato.

Arrocho em Cunha

           Na medida que a população brasileira começa a ocupar as ruas para pedir a saída do Michel Temer, a Justiça também começa a apertar o cerco contra o deputado Eduardo Cunha, considerado o principal aliado do presidente interino, que estaria manobrando na Câmara para salvar o seu mandato no Conselho de Ética e no plenário da casa.

 

Delação de Cunha

Ontem mesmo, a Procuradoria Geral da República apresentou ao Supremo Tribunal Federal a terceira denúncia contra o deputado afastado Eduardo Cunha, que diante da certeza de que será cassado, varrido do Congresso Nacional e preso já estaria ensaiando fazer o que a mídia já está considerando a maior delação premiada da história do país.

 

Brasília vai tremer

A expectativa na capital federal já é saber qual dia exato que Eduardo Cunha deve procurar a PGR para delatar a maioria dos atuais deputados e senadores do Congresso Nacional, além do próprio presidente interino Michel Temer, que já foi inclusive citado na Lava Jato por receber propinas do esquema da Petrobrás. Brasília já se prepara para ter nos próximos dias ou semanas o maior abalo político de sua história.