Coluna Acre em Foco

Por Romerito Aquino

Orquestração do golpe

Os críticos da crise política nacional apontaram ontem que a orquestração para dar o golpe no mandato legítimo da presidenta Dilma continua rápida e bem planejada no país. Ontem, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) anunciou a votação final do impeachment de Dilma no Senado só se dará no final das Olimpíadas do Rio de Janeiro prevista para agosto.

 

Evitar maior repercussão

Com isso, segundo os críticos, o presidente interino Michel Temer e seu grupo golpista querem evitar que o provável golpe contra o mandato de Dilma tenha muito mais repercussão internacional enquanto o mundo estará de olhos voltados para o Brasil durante os jogos olímpicos que irão reunir em agosto no país os melhores atletas do planeta.

 

Pressão bem menor

Com o golpe sendo sacramentado só após as Olímpiadas, o Brasil será bem menos pressionado e passará menos vergonha junto aos países desenvolvidos e os em desenvolvimento que presam e levam a sério a democracia, onde um presidente da República jamais seria deposto sem ter cometido crime de responsabilidade.

 

Omissão do Judiciário

Já condenado pela ONU e pela maioria dos países democráticos do mundo, o golpe parlamentar vem sendo aplicado contra a presidenta eleita com o apoio do vice-presidente Michel Temer, do PMDB, do PSDB, do DEM, do PP e de outros partidos, da chamada grande imprensa e da escancarada omissão do poder Judiciário do país, que só tem punido políticos ligados ao governo petista.

 

Temer aumenta rombo

Em postagem ontem no Facebook, a presidente eleita Dilma Rousseff disse que “o governo interino e provisório, ao tempo que apregoa ajuste fiscal, faz o rombo crescer R$ 125 bilhões até 2018”, prejudicando a recuperação da economia e a população brasileira, que é quem sofre muito em época de grave crise econômica como a atual.

 

Sem responsabilidades

“Não tem nem responsabilidade fiscal nem responsabilidade social. De um lado estoura os limites prudenciais do gasto e, de outro lado, quer cortar os gastos em saúde e educação, privatizar tudo e vender o pré-sal”, denunciou Dilma, ao chamar de “verdadeiro cheque especial” o limite de gastos pedido por Temer ao Congresso “muito superior ao que era necessário”, a fim de que “permita ‘bondades’ com o objetivo de garantir o impeachment”.

 

Projeto ruim

A denúncia de Dilma foi reforçada no Senado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), da Comissão Especial do Impeachment, ao dizer que quando se vota contra o impeachment não é só para defender a democracia. “É porque nós sabemos que eles estão tomando o poder para novamente aplicar um projeto ruim, um projeto de concentração de renda, um projeto que retira direitos dos trabalhadores”,

 

Sem moral nenhuma

Para a senadora amazonense, os golpistas não têm moral nenhuma para falar que a presidente Dilma gastou de forma desordenada. “Não têm. Olha o que eles estão fazendo”, discursou a senadora, que acusou o governo interino do vice-presidente Michel Temer de dar apoio a medidas que aumentam gastos públicos

 

 

Sem dolo de Dilma

Em entrevista coletiva ontem, o advogado da presidente eleita Dilma Rousseff e seu ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que o processo de impeachment no Senado Federal provou que não houve dolo por parte dela nas irregularidades apontadas pela acusação.

 

“Nós provamos”

“Eu queria provar e nós provamos”, disse Cardozo, que voltou a afirmar que pode ir ao Supremo Tribunal Federal questionar a decisão. “Podemos ir ao Supremo no momento certo. Eu quero a absolvição da presidente no Senado. Eu não quero no meu país a pecha de que a Justiça vai corrigir os erros do Senado”, assinalou Cardozo.

 

Marina com Bolsonaro

Outro assunto da crise política muito comentado ontem nas redes sociais foi a decisão da Rede Sustentabilidade, da ex-senadora acreana Marina Silva, de se coligar em Guarulhos (SP) com o PSC, partido do deputado federal Jair Bolsonaro, que se tornou réu no STF por crime de apologia ao estupro e de ser o principal representante da extrema-direita fascista, xenofóbica, racista e misógina.