Coluna Acre em Foco


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Por Romerito Aquino

Salvar Cunha

O destaque político da crise brasileira ontem na mídia e nas redes sociais foi a forte reação do país à decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tomada em conjunto com o presidente interino Michel Temer (PMDB), de marcar a sessão de cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para o dia 12 de setembro.

 

Data posterior

Como a data deve ser posterior à votação final do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o país inteiro considerou tratar-se de uma estratégia do governo golpista de Michel Temer de tentar salvar o mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), até aqui o político brasileiro mais envolvido nos roubos de dinheiro públicos apurados pela Operação Lava Jato.

 

Temer de joelhos

Como bem definiu ontem a manchete do portal Brasil 247, o deputado afastado Eduardo Cunha, depois de comandar o golpe parlamentar contra o mandato da presidenta Dilma, conseguiu colocar de joelhos o interino Michel Temer e seu sucessor na Câmara, Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro.

 

Ameaça de reação

“Cunha mandou avisar que não admite ser cassado. Para ele, Temer e os partidos que apoiam o seu governo lhe devem gratidão por ter deflagrado o golpe. Caso seja ignorado, ameaça reagir. Não é à toa que a votação da sua cassação ficou para 12 de setembro, após o impeachment e numa segunda-feira, dia de quórum fraco”, assinalou o portal.

 

Temor de segredos

Para o jornalista Kennedy Alencar, adiar a votação do mandato do deputado afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) “mostra que o governo e boa parcela da Câmara temem segredos que Cunha possa tornar públicos” e “uma clara articulação para facilitar a vida do ex-presidente da Câmara”.

 

Apito do juiz

Por seu lado, a colunista Tereza Cruvinel, que também escreve para o Brasil 247, admite que “com a vitória da coalizão golpista na votação da pronúncia de Dilma como ré, só falta o juiz apitar: fim de jogo, tudo dominado, o golpe prevaleceu”. A jornalista prevê um cenário com escalada autoritária, repressão das oposições e do contraditório.

 

Grande pizza

A jornalista também prevê uma grande pizza para salvar políticos aliados da Lava Jato, a continuidade da caçada ao ex-presidente Lula, o retrocesso social e política externa subserviente. A jornalista prevê, no entanto, a tendência de que Michel Temer se torne a cada dia mais impopular.

 

Cassação da chapa

Por fim, Tereza Cruvinel imagina ainda a hipótese de que avance a cassação da chapa Dilma-Temer no ano que vem, abrindo espaço para uma eleição indireta, e a única saída viável para pacificar o País seria a realização de novas eleições presidenciais. “Teríamos assim, ao final da conflagração, de duração imprevisível, o desfecho para a crise e alguma pacificação”, completou.

 

Dilma não desiste

Enquanto isso, a presidente eleita Dilma Rousseff se dirigiu ontem às redes sociais para mandar um recado aos brasileiros, dizendo a todos eles que não deixou de lutar contra a consumação do golpe, que avançou mais uma casa no Senado esta semana, com a votação e aprovação da pronúncia contra a presidenta.

 

Facções criminosas

Em palestra a empresários do Estado de São Paulo, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, chamou partidos políticos de “facções” e, sem citar o PMDB de Michel Temer, declarou que o grupo que tomou o poder o fez para se proteger e continuar roubando.

 

País paralisado

“Nosso país está paralisado há mais de um ano em função de uma guerra entre facções políticas. Sabemos por alto que se trata de ambição, de ganância, de apego ao poder, tentativa de se perpetuar no poder para se proteger, mas também para continuar saqueando os recursos da nação”, declarou, Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no STF.