Coluna Acre em Foco

Crise política

A crise política do Brasil se agravou ontem com a invasão da população no plenário da Câmara dos Deputados, os protestos de servidores no Rio de Janeiro, que também já invadiram a Assembleia Legislativa do Estado e com o sério bate-boca entre os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Invasão na Câmara

A invasão no plenário da Câmara dos Deputados se deu depois que um grupo de 60 a 70 manifestantes quebraram a porta de vidro do plenário, invadiram o plenário e subiram na mesa da sessão, aos gritos de que o Congresso é a casa do povo, obrigando o presidente da mesa, Valdir Maranhão, a suspender a sessão.

 

Alta tensão

A alta tensão em Brasília e no Rio de Janeiro, segundo divulgou a mídia, gerou preocupação no Palácio do Planalto, que monitorou o desenrolar das ações de violência dos manifestantes nas duas cidades, elevando ainda mais a temperatura política do país, que hoje se vê dividido entre os que apoiam e os que são contra o golpe parlamentar dado contra o mandato da presidenta Dilma.

 

Receio do governo

Pelo que publicou o jornal Folha de São Paulo, o receio do governo de Michel Temer é que esses tipos de protestos se espalhem pelo país neste fim de ano e, por isso, a ordem é acompanhá-los e monitorá-los para determinar os tipos de ações que terão de ser tomadas se for necessário.

 

Movimento organizado

No caso da invasão da Câmara dos Deputados, a avaliação do governo, segundo o jornal paulista, é que se trata de um movimento organizado por grupos radicais de direita e que não será admitido, principalmente por defender uma intervenção militar no país, conforme pediram os manifestantes.

 

Força Nacional

Sobre os protestos no Rio de Janeiro, o governo Temer já colocou à disposição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) homens da Força Nacional e do Exército para ajudar na segurança estadual, principalmente nos locais próximos às manifestações, que tem causado cenas de violências entre manifestantes e policiais.

 

Ajuda aos estados

Segundo ainda o jornal paulista, o presidente Temer orientou sua equipe econômica a encontrar medidas para dar um alívio de caixa não só ao Rio, mas também a outros Estados, na busca de evitar que haja um atraso generalizado do pagamento do 13º salário neste final de ano pelos governadores.

 

Outros estados

Se isso acontecer, o Palácio do Planalto teme que os protestos que estão ocorrendo hoje no Rio se repitam em outros Estados, gerando um clima de tensão social no mês de dezembro, que pode incendiar o país, já dividido entre os que não aceitam e combatem o golpe parlamentar contra Dilma e os que apoiam o novo governo.

 

Bate-boca no STF

No STF, a votação de um recurso extraordinário sobre incidência ou não de contribuição previdenciária sobre adicionais e gratificações temporárias, como terço de férias, adicional noturno e adicional de insalubridade, terminou com bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

 

Lewandowski e Gilmar

A discussão entre os dois ministros começou quando Lewandowski chamou de “inusitada” a posição de Gilmar de pedir vista após ter proferido seu voto. Gilmar rebateu a provocação, dizendo que é Lewandowski quem adota posições “heterodoxas”, como teria feito no Senado, em alusão ao julgamento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em agosto, quando a votação foi fatiada.

 

Acusações mútuas

“Basta ver o que vossa excelência fez no Senado”, disse Gilmar. “Basta ver o que vossa excelência faz diariamente nos jornais”, Lewandowski disse a Mendes, ligado ao PSDB e apontado como um dos cabeças do golpe parlamentar que tirou o PT do poder com o impeachment deste ano.