Coluna Bom Dia

Reversão

O prefeito Tião Bocalom deu início à sua jogada mais arriscada. Aquela que vai definir seu mandato: a reversão do serviço de água e esgoto do Depasa para o Saerb municipal. Um caminho cheio de empecilhos e armadilhas. Se o prefeito conseguir ter sucesso nessa empreitada, seu mandato será lembrado por muitos anos e sua reeleição, se ele quiser, garantida.

Percalços

Mas se falhar, vai para a vala comum dos prefeitos que não conseguiram cumprir suas promessas. Não será tarefa fácil, a menos que o prefeito invente uma forma de conseguir muito dinheiro para os inevitáveis investimentos.

Privatização

A maioria dos especialistas do setor sanitário do Estado aposta que o objetivo do prefeito é, na verdade, a rápida terceirização do serviço, a exemplo do que está sendo feito em Porto Velho, com base na Lei de saneamento aprovada em 2020. Os recursos dessa concessão seriam muito bem vindos para serem aplicados em outros setores. Mas outros alertam que contar com isso é como preparar os ingredientes da omelete com o ovo ainda dentro da galinha.

Inadimplência

No caminho da concessão estão a alta inadimplência, o sucateamento da rede de distribuição, os problemas de captação e tratamento, a falta de fontes de captação sem contaminação, a falta de hidrômetros e medidores e a cultura de não pagar as contas de água. Somando-se a isso as metas de universalização do serviço até 2033, obrigatórias, pode afastar possíveis investidores.

Vacinas

O chefe da Casa Civil, Flávio Silva, confirmou que o governo recebeu proposta de fornecimento de grande quantidade de vacinas, para o próximo mês. Seria uma compra direta com o laboratório no Brasil. Para viabilizar, precisaria do governo federal autorizar a quebra do monopólio de aquisições, imposto para barrar as pretensões do governador Dória.

Privado

O governo está estudando dar o aval para que a iniciativa adquira vacinas para seu uso, desde que doe parte para o SUS. A ideia partiu de grandes empresas que querem imunizar seus funcionários e famílias. A proposta esbarra na limitação da oferta da vacina. A Astra Zeneca, que poderia fornecer a vacina de Oxford anunciou que só tem estoques para vender diretamente a governos e não há suficiente para venda a particulares. Sem contar com todas as implicações éticas envolvidas nisso, da obrigação do poder público dar tratamento isonômico à população.

Escândalo

Mais um escândalo de adultério explodiu nas redes sociais de Rio Branco ontem, com as baixarias tradicionais, com fotos explícitas e a vergonha exposta por quem sempre se afirmava exemplo de moral, religiosidade e fé. Coisas do Acre. Mas este escândalo pode encobrir outro muito mais sério, este com repercussão muito maior, de vida e de morte.

Desvio

O pivô desse escândalo sexual está sendo acusado de desvio de doses da vacina contra a Covid que recebeu legitimamente, que deveriam ser destinadas a profissionais da Saúde e que estariam sendo aplicadas em pessoas de interesse do responsável por sua guarda. Era o que se comentava ontem na cidade e o MP já foi acionado para investigar. Se descobriram a amante, o que dirá a vacina?

Bolada

A Câmara Municipal descobriu que gasta perto de R$ 700 mil anuais com o aluguel do prédio onde acontecem as sessões. Afora isso, mais de R$ 300 mil por ano para alugar gabinetes para os vereadores. Uma avaliação rápida de imóveis disponíveis para locação na Capital mostra que é possível estar mais bem instalado gastando 30% desse valor. O presidente N. Lima estaria disposto a apressar a mudança de local.

Descalabro

Esse é mais um descalabro do que se faz com o dinheiro público, com o patrimônio da viúva. Ninguém pensa em racionalização e economia. Acham que dinheiro público não é de ninguém.

Comida

Alvoroço nas redes sociais ontem ao se descobrir que o executivo federal gastou R$ 15,6 milhões na compra de leite condensado em 2020. E mais de R$ 2 milhões em chicletes. Foi explicado que o chiclete é fundamental para pilotos de caça da FAB e para marinheiros em submarinos. Mesmo assim, seriam tantos pilotos e marinheiros assim no país? Tantas pessoas se indignaram com a compra de lagosta pelos ministros do STF, como não se indignar com gastos de R$ 16 milhões em batatas chips ou quase R$ 9 milhões em bombons?

Shows

Outra denúncia que prenuncia escândalo é a de quem em plana época de recrudescimento da pandemia, a Fundação Elias Mansour tenha aberto licitação para equipamentos e infraestrutura de shows para até 50 mil pessoas. O Correinha, presidente da FEM correu a desmentir que esteja programando megashows, mas a verdade é que a licitação existe e foi publicada. Inoportuna é a palavra mais amena numa hora dessas.

Enchente

Os especialistas em prever os humores do Rio Acre, em perceber início das grandes enchentes, estão preocupados com a bacia do Rio Acre na Capital. Além de forte repiquete que vem desde a fronteira da Bolívia, o riozinho do Rola dá sinais de que já não consegue jogar seu volume de água no rio Acre e começa a alagar. Como nos anos das grandes cheias o pico acontece em fevereiro, todo cuidado é pouco.

Dengue

Deixada um pouco de lado por conta da Covid, a dengue volta a preocupar muito na Capital. A infestação do mosquito piorou em vários bairros e os casos começam a explodir. Mais uma doença para pressionar o sistema de Saúde.

Sem caos

Quando se avalia a situação de Porto Velho e Manaus, não há como não louvar o trabalho realizado no Estado, pelo governador Gladson Cameli, o secretário de Saúde, Alysson Bestene, a antiga equipe da prefeitura, na gestão de Socorro Neri e os membros do comitê do Pacto Acre sem Covid. O sistema de Saúde do Acre está preservado, foi preparado, robustecido e o caos dos Estados vizinhos não se reproduziu aqui. O governador teve pulso para conter os radicais da abertura indiscriminada. E o Acre resiste à crise.

Carne

O preço da arroba de boi para os açougues subiu de R$ 215,00 em novembro para R$ 260 neste fim de janeiro. Um aumento da ordem de 25%, muito superior à inflação. A desculpa, como sempre, cai na mesma tecla da entressafra da produção por causa das chuvas. Conversa para boi dormir e a vaca não ser abatida. É a decisão dos frigoríficos, que ditam as normas do consumo.

Educação

Governo e sindicalistas concordam que a tabela de progressão do PCCR da Educação foi feita para atrapalhar a vida do professor em vez de ajudar. Consegue ser tão esquisita que contempla que o professor, quanto mais tempo tem de carreira, menores são os reajustes e progressões a que tem direito. Qual a lógica?

Mudança

A mudança desse paradigma precisa acontecer e isso está sendo estudado para se definir o que é possível fazer, dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal e do orçamento. Os cálculos devem ficar protos até o dia 10 de fevereiro, quando governo e sindicato voltam a dialogar.