COVID 19 já atingiu 434 Indígenas com 17 mortes no estado

A COVID 19 está assolando as terras indígenas do Acre e os índios que estão morando nas cidades. Mapa divulgado pela Comissão Pró-Índio mostra que até agora, só com os dados oficiais da Secretaria de Saúde, estão confirmados 434 casos do coronavirus entre indígenas, sendo que 146 foram relatados nas aldeias de diversas etnias e 288 entre os que estão morando em cidades. Já foram registrados 17 óbitos.

A etnia mais tingida é a Huni Kui, que registrou a doença em cinco de suas aldeias, com um total de 73 casos e seis óbitos. A terra indígena do Alto Purus é a mais atingida, com 41 casos. Também os Jaminawas da terra indígena Arara do Rio Preto estão com alto grau de contaminação tendo testado 27 casos positivos.

Entra os índios que moram nas áreas urbanas, a situação mais grave é de Santa Rosa do Purus, que registra 116 casos confirmados

O mapa montado pela CPI será atualizado semanalmente e está disponível na página inicial do site da CPI-Acre, com a distribuição das Terras Indígenas e municípios do Acre e os casos confirmados da COVID-19 (coronavírus).

Com o mapa, foi gerada a tabela “Casos de Covid-19 no Acre e Terras Indígenas”, resultado de uma checagem interna da CPI-Acre, com a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC) e a Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC), e com informações disponibilizadas pelos Distritos Sanitários de Saúde Especiais Indígenas (DSEIs) do Alto Rio Juruá e Alto Rio Purus, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), da Secretaria de Estado de Saúde (SESACRE) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Confira a tabela:

COVID atinge 434 índios, com 17 mortes, Etnia Huni Kui é a mais afetada

Entidades indígenas reuniram informações em um mapa e tabela que serão atualizados semanalmente, Santa Rosa do Purus é a cidade cm mais indígenas infectados.

Professor indígena do povo Yawanawá morre de covid-19

Uma das 17 mortes confirmadas de indígenas por COVID no estado vitimou o professor Francisco Luiz Yawanawá (conhecido como Chicó). Ele foi um dos primeiros professores do seu povo e fez parte da geração que deu início à luta por uma Educação escolar indígena diferenciada no país.

Segundo nora da Comissão Pró-Índio, Francisco, como os demais colegas e parentes, naquele tempo, transformou um cantinho de sua própria casa em escola, sem salário e com poucos materiais, dando os primeiros passos. Como ele mesmo dizia, diz a nota da CPI, havia pegado a ideia de como trabalhar e seguiu com vontade de fazer algo pelo seu povo. Com esse pensamento, combinou em seu trabalho, o aprendizado da escrita com a riqueza de inspirações proporcionadas pela floresta e pela cultura do seu povo.

Francisco Luiz Chicó era filho de dona Angélica Katukina e de uma grande liderança do povo Yawanawá, o velho Antônio Luiz. Chicó como seu pai, será́ lembrado também como uma grande liderança e como uma referência para o seu povo, para os professores indígenas e para toda a comunidade. A Comissão Pró Índio lamentou a morte do professor.