Cursos de medicinas precisarão fortalecer a cátedra de evidências científicas


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Cardiologista Odilson Silvestre, da Ufac, fala sobre reformulação

Cezar Negreiros

Depois da polêmica recomendação do Ministério da Saúde (MS) de orientar os profissionais de saúde de prescrever o medicamento de hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 no país, os cursos de Medicina devem incluir na sua grade curricular o ensino de evidências científicas.  O médico cardiologista Odilson Silvestre, destacou que o curso de Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) passou recentemente,  por uma ampla reformulação da grade curricular nos últimos três anos. 

Revelou que a instituição conta atualmente, com um trabalho de incentivo dos estudantes do curso a pesquisa científica e a metodologia bastante avançado. Enfatizou que a disciplina de metodologia científica é ministrada no primeiro e segundo semestre, mas disciplina e científica vai até o 6 período do curso. Assim que cada estudante ingressa na cátedra, ele é obrigado a apresentar uma pesquisa de evidências científicas até o oitavo período do curso.  O curso de Medicina oferta a disciplina de pesquisa científica-1, 2, 3, 4, 5 e 6, “mas sou responsável pelas disciplinas de pesquisa científica 1 e 3”, observou o professor universitário.

Dr. Odilson revelou que a disciplina já existe na grade curricular dos cursos de Medicina espalhados pelo país, mas não recebe a devida dedicação que o assunto merece por alguns professores para preparar os acadêmicos na interpretação textual dos estudos científicos.  Esclareceu que os tratados de ciência são publicados na língua inglesa, o que transforma num grande obstáculo para os estudantes que não dominam cultura anglo-saxônica. “Eu,  graduei no Rio Grande do Sul, onde o estudo de epidemiologia é muito forte, o maior estudo de sorologia realizado no pais contou com os professores pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)”, enfatizou o doutor em cardiologia pela USP, mestre em Saúde Pública e pós-doutor em doenças cardiovasculares pela Harvard School of Public Health.

Decisão – A doação do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump de três milhões de comprimidos ao governo brasileiro para combate à epidemia do novo coronavírus se transformou num grande problema após as pesquisas apontaram que a medicação não tem nenhuma eficácia no tratamento da doença. No artigo Evidências científicas em medicina: A contribuição da epidemiologia, o autor Mauricio Gomes Pereira trata deste assunto, em 2016. Aponta que as  pessoas, não importa o grau de instrução, utilizam as evidências de que dispõem ou em que acreditam para tomar decisões sobre suas vidas e a de seus semelhantes. Observa que nada mais natural do que proceder desse modo. Era assim no passado e hoje não é diferente. “Cada um procura o que lhe parece adequado nas situações mais corriqueiras, como ingerir alimento ou comprar medicamento sem prescrição médica”, pondera.

Acrescenta ainda que as evidências de que as pessoas dispõem para tomarem decisões são de natureza diversa. Há fontes não sistemáticas, como conhecimento popular, senso comum, intuição, hábitos, experiência própria, opiniões, cultura familiar, costume local, sites na internet e notícias da mídia. Nesse cenário de múltiplas opções, operam os profissionais de saúde. Esses profissionais, credenciados por terem diploma universitário, são ensinados a utilizar as evidências científicas. “Teoricamente, deveriam estar preparados para empregar as melhores evidências disponíveis nas suas práticas diárias”, finaliza.