Dia do Orgulho LGBTQ+ é momento de combater violência

José Faustino Vieira

Hoje é o Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+ e há pouco a se comemorar. O Brasil entra numa triste e cruel estatística como um dos países que mais matam homossexuais no mundo, inclusive é mais seguro um trans viver na Rússia, em que existe uma Lei que proíbe a “promoção de relações não tradicionais” e a comunidade é reprimida, do que em terras brasileiras onde ser gay não é crime.

No Acre a situação também não é diferente, entre 2016 e 2019, 11 homossexuais e transexuais foram violentamente assassinados. Apesar dos grandes esforços de entidades e investimentos em políticas públicas para proteger a comunidade, a violência vem crescendo vertiginosamente.

De acordo com a procuradora de Justiça Patrícia Rego, coordenadora do Centro de Atendimento à Vítima (CAV), em Rio Branco, afirma que crimes com motivação homofóbicas precisam de uma punição exemplar.

“Estamos acompanhando de perto o caso da morte da Fernanda, provavelmente vítima de um homicídio com características de transfobia. Um promotor está à frente do caso. Um crime de ódio que chega a ceifar uma vida precisa ser punido exemplarmente”, enfatiza a procuradora.

Fernanda Machado foi encontrada morta com vários ferimentos pelo corpo e sinais de que havia sofrido também, uma parada cardíaca. O crime aconteceu na madrugada da última quinta-feira (25) no bairro Preventório.

“Vulnerabilidade social e falta de oportunidades”. É assim que a presidente da Associação de Travestis e Transexuais do Acre (Attrac), Antonella Albuquerque, insere a comunidade LGBTQI+ do Acre.

“Existimos em um contexto bastante desfavorável na sociedade. Não existem políticas públicas suficientes para atender a demanda. A Associação foi criada para tentar minimizar esses impactos. Estou na linha de frente há 4 anos e ao longo desse tempo avançamos muito. Ainda há bastante a ser feito. Procuramos fazer um trabalho sempre dando visibilidade a travestis, mulheres e homens trans”, frisou Antonella.

O presidente do Fórum de ONGs LGTBQI+ no Acre, Germano Marinho, enfatiza a importância da data.

“O Dia do Orgulho LGBTQI+ é um reforço para lembrar que todos os gays, lésbicas, bissexuais e pessoas de outras identidades de gênero, devem se orgulhar de sua sexualidade e não sentir vergonha disso e sim orgulho”.

Normalmente, nesta data, são organizadas festas e desfiles pelas ruas das grandes cidades, onde os membros da comunidade e simpatizantes do movimento se reúnem para celebrar o amor e a igualdade entre todos os gêneros, mas por conta da pandemia do Coronavírus, as comemorações em alusão à data serão realizadas por meio das redes sociais.