Economia encolheu mais de 5% em oito Estados, a maioria no Norte e Nordeste

Todas as economias regionais foram atingidas de alguma forma pelo recuo de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2015, mas alguns Estados sofreram mais do que outros. Nada menos do que oito deles tiveram queda igual ou superior a 5% no ano passado ­ seis destes localizados no Norte e no Nordeste.

O destaque foi o PIB do Amazonas, Estado que responde por mais de um quarto da atividade da região, que caiu mais do que 9%. Não foi por acaso que as quedas mais fortes se concentraram no Norte e do Nordeste. As duas regiões reverteram a tendência sustentada até 2014, com desempenho pior do que o da média nacional no ano passado, algo que, segundo especialistas, deve se repetir em 2016. O PIB do Norte caiu 4,4% e o do Nordeste, 4,1% ­ os piores resultados do país.

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Um ano antes, as regiões registravam um desempenho bem acima do PIB (que subiu 0,1%), em alta de 1,2% e 1,6%, respectivamente, segundo dados da consultoria 4E. A região Nordeste foi atingida especialmente pela queda de investimentos na área de infraestrutura e pela contração do setor de serviços. No Norte, o recuo de 4,3% do varejo nacional explica o quadro bem pouco animador. Crucial para o Estado, a produção da Zona Franca de Manaus foi atingida em cheio pela crise, em especial a de bens duráveis.

Ao mesmo tempo, favorecidos pelos bons ventos que sopram do setor externo, o Sul e o Centro Oeste emitem os primeiros sinais de recuperação e devem puxar movimento de recuperação. Os números oficiais do IBGE para os Estados saem com pelo menos dois anos de defasagem. Com base em dados de alta frequência, como a pesquisa mensal do varejo e alguns índices que o Banco Central disponibiliza, bancos e consultorias conseguem estimar séries mais atuais.

Para o sócio da 4E Consultoria, Leopoldo Gutierre, a recuperação dos Estados deverá ocorrer somente a partir de 2017 , com a redução de parte da incerteza política e um aumento da confiança dos agentes. “Centro Oeste e Sul vêm sofrendo com os problemas de queda da demanda e confiança como o Brasil como um todo, mas devem se recuperar um pouco mais rápido, colhendo frutos do setor externo”. “A queda na atividade foi muito disseminada e esse movimento continua no primeiro trimestre deste ano”, afirma Rodrigo Miyamoto, economista do Itaú Unibanco. “Mas há regiões mais voltadas para exportação, beneficiadas pela desvalorização cambial, como Centro Oeste e Sul com relação a carnes, e a celulose mais no Mato Grosso do Sul”.

Dentre os 15 Estados que caíram mais do que o PIB em 2015 (­3,8%), Amazonas caiu 9,1%, segundo dados da 4E. Para o Itaú, o recuo chegou a 9,2% e o cenário para 2016 segue ruim. Em dezembro, o PIB do Amazonas teve baixa de 12,5% sobre igual período de 2014, em linha com o fraco resultado das vendas de Natal. Na outra ponta, a queda de Roraima foi de apenas 0,2%. Segundo especialistas, a queda da demanda demorou mais para bater no Estado, mas será difícil vê­lo escapar de outro ano ruim para a economia como um todo.

No Nordeste, diz Gutierre, o impacto da Lava­Jato foi mais forte, devido aos cancelamentos de projetos de estaleiros e ligados a Petrobras, que justificaram uma retração também forte da demanda. O Estado que mais contribuiu com essa queda foi Pernambuco, o segundo maior da região, com queda de 4,5% do PIB no ano passado. Paraíba e Maranhão, no entanto, caíram 5% cada em 2015, os piores resultados da região e em linha, segundo Gutierre, com o forte recuo no comércio varejista ampliado desses Estados no ano, com baixas de 14,3% e 11,3%, respectivamente.

Única região a cair em 2014 (­0,5%), o Sudeste voltou a registrar queda em 2015, de 3,7 %. Na região, o PIB de São Paulo caiu 3,9% nas contas da 4E, queda que chegou a 5,1% segundo o Itaú. O Estado que responde a cerca de 30% do PIB do país acompanhou o desempenho sofrível da indústria da transformação, em especial do setor automotivo. Para Gutierre, a contração de 6,3% esperada para a indústria em 2016 não deve contribuir para uma melhora no cenário.

O Rio caiu menos (­1,6%), puxado por investimentos ligados à Olimpíada, que mantiveram a demanda relativamente mais aquecida. Com a realização do evento e um cenário de preços do petróleo retraídos, o Rio deve voltar a se comportar em linha com outros Estados da região, como São Paulo. Já Minas e Espírito Santo devem sofrer um pouco mais pelos efeitos do desastre de Mariana. “O Espírito Santo teve queda forte da produção industrial no quarto trimestre de 2015 e a tendência é que isso não se repita.

Mas o nível de atividade deve se manter muito baixo e, por conta do carregamento estatístico, o desempenho será ruim neste ano”, diz Miyamoto. O Sul caiu 4% em 2015 puxado pelo Rio Grande do Sul (­ 4,9%), que responde por cerca de 37 % do PIB da região.

O Estado teve, segundo a 4E, queda de 1,5% do emprego formal e de 13,2% no varejo ampliado, os piores números da região. Para o Itaú, o PIB do Rio Grande do Sul caiu mais, 5,8%. O quadro só não foi pior devido à reação do setor externo: nas contas da 4E, o saldo comercial do RS passou de US$ 7 ,5 bilhões para US$ 21,3 bilhões em 2015. É também o setor externo que deve favorecer o Centro Oeste em 2016. Em 2015, a queda do PIB da região foi de 3,8% e só não foi melhor pelo fraco desempenho de Goiás, cujo PIB caiu 5,6%.