Empresas do transporte coletivo amargaram um prejuízo de R$ 5,2 mi durante pandemia

Cezar Negreiros

O setor de transporte coletivo fechou o ano passado (2020), com um déficit estimado em torno de R$ 5,2 milhões, em comparação com a receita de 2018 que chegou a casa dos R$6,4 mi. As três empresas de ônibus com concessão na capital acreana registraram uma receita de apenas R$ 1,6 milhões em virtude da pandemia, enquanto em 2019 essa arrecadação em R$ 4,6 mi. “A receita de 2018 chegou aos R$ 6,4 milhões, mas naquela época não enfrentarmos a concorrência desleal dos taxis-lotação, transporte clandestino que garimpam nos pontos de ônibus os passageiros que pagam em dinheiro e deixam para trás idosos, deficientes físicos e estudantes que têm vale transporte da gratuidade”, lamentou o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do Estado do Acre (Sindcol), Aluízio Abadde.

O representante do sindicato patronal disse as empresas de ônibus registrou uma queda diária de quase 80% dos passageiros com a vigência do isolamento social. Destacou que o fluxo de passageiro nos terminais e nas paradas de ônibus girava em torno de 100 mil, mas que agora não ultrapassa dos 20 mil. Aluísio contou que nos anos anteriores as empresas sediadas no estado desembolsavam todos os meses a quantia de R$ 5 milhões para pagar os tributos, mas com a crise que se arrasta por três anos pagam apenas R$ 1 mi, de ISS.

Como são prestadores de serviço, segundo ele, o setor de transporte coletivo precisa de ajuda do poder público para manter o serviço prestado a população acreana. Destacou que sem subsídio da gestão municipal não temos como manter os carros circulando vazios pelos bairros, porque os donos das empresas de ônibus têm gastos de combustíveis e o salário dos motoristas que precisam arcar todos os meses. “ Acreditamos que o prefeito Tião Bocalom deva encontrar uma alternativa que ponha fim ao impasse”, aposta.

DRAMA

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), o sindicalista Francisco Marinho, contou que os motoristas estão sem nenhuma previsão de receber o salário deste mês, depois o governo federal não prorrogou o programa de Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda (BEm). Relatou que desde a vigência do isolamento social por causa da pandemia de coronavírus, as empresas reduziram a jornada de trabalho dos motoristas amparados pela Medida Provisória (MP 936/20) que permitia que o pagamento de 30%, enquanto a Caixa Econômica Federal (CEF) antecipava o seguro desemprego em 70% do salário base. “Estamos com duas férias atrasadas por conta desta crise que piora a cada ano”, desabafou o sindicalista.

A capital acreana conta com uma frota de mais de 120 ônibus, mas a empresa Cidade de Rio Branco é detentora por 63% das linhas, enquanto o consórcio Via Verde São Judas Tadeu e Floresta respondem pelos outros 37¨% das concessões contam com cerca de 740 trabalhadores. Sendo 550 motoristas, que por uma dupla jornada (motorista/cobrador) recebiam antes da pandemia um piso base de R$ 2.294,00 mais um adicional de R$ 485,00, que somados chegava um piso base de R$2.779,00. “Nos encontros que tivemos com os gestores da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) temos defendido a antecipação desta subvenção para evitar o desemprego dos nossos motoristas de ônibus”, defendeu o sindicalista.

O prefeito da capital acreana Tião Bocalom usou as redes sociais para declarar que esteve no RBTRANS, onde se reuni com o superintendente da autarquia, Anízio Alcântara. “Mesmo não sendo responsabilidade da Prefeitura estamos preocupados com os trabalhadores do transporte coletivo de Rio Branco que não receberam seus salários. Quero tentar intermediar essa situação com os donos das empresas de transporte”, declarou o gestor.