Empresas reclamam de queda de 80% do fluxo dos usuários do transporte coletivo

Os empresários do setor de transporte coletivo pedem socorro à prefeita Socorro Neri para continuarem prestando o serviço à população rio-branquense. As três empresas de ônibus com concessão na capital acreana registraram uma queda diária de quase 80% dos passageiros desde que o isolamento social passou a vigorar no estado.

O fluxo de passageiro nos terminais e nas paradas de ônibus girava em torno de 100 mil, mas agora não ultrapassa dos 20 mil, com as constantes  prorrogações da quarentena. Com  uma frota de 109 ônibus, a  empresa Cidade de Rio Branco é detentora por 63% das linhas de ônibus, o consórcio Via Verde São Judas Tadeu e Floresta  por  37¨% das concessões contam com cerca de 740 trabalhadores.

Cerca de 550 deles são motoristas, que por uma  dupla jornada (motorista/cobrador) recebiam antes da pandemia um piso base de R$ 2.294,00 mais um adicional de R$ 485,00, que somados chegavam em torno de R$2.779,00. As empresas acumulam uma dívida de três meses, prorrogam a dívida do consumo de combustível e faz cinco meses que não paga os convênios com parceiros que prestam serviço aos trabalhadores. “Não temos mais como segurar esta dívida que mais parece uma bola de neve, sem contar com a ajuda da prefeitura de Rio Branco para estancar esse déficit acumulado todo mês”, desabafou o presidente do Sindicato das empresas de transporte coletivo do estado do Acre (Sindcol), Aluízio Abade. 

O empresário contou que as empresas desembolsavam todos os meses a quantia de R$ 5 milhões para pagar os tributos, com a crise pagam apenas R$ 1 mi, de ISS. Como são prestadores de serviço precisam de ajuda do poder público para manter o serviço prestado para os usuários do transporte coletivo. “Sem subsídio não temos como manter os carros circulando vazios pelos bairros, porque os gastos de combustíveis e o salário dos motoristas têm que ser pago religiosamente todos os meses”, desabafou.

Questionado pela reportagem do jornal A Tribuna, se pretendem majorar o preço da tarifa, declarou que as empresas perderão mais receitas. “Estamos aguardando a prefeita se recuperar do seu problema de saúde para que juntos possamos encontrar uma solução que ponha fim ao problema que se arrasta desde o ano passado”, diz em tom de resignação.  

Protesto –  Os motoristas fizeram uma greve relâmpago no decorrer da semana para cobrar os salários atrasados. Usaram os próprios ônibus que trabalhavam para bloquear o prédio da prefeitura de Rio Branco e a entrada do Terminal Urbano para protestar e cobrar o pagamento de três meses de salário e os equipamentos de proteção individual, depois que  cinco colegas testaram positivos para o coronavírus.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), Francisco Marinho relatou que desde a vigência do isolamento social que as empresas reduziram a jornada de trabalho dos motoristas amparados na Medida Provisória (MP 936/20) que autoriza a redução de 70% do salário, a diferença será paga pelo governo federal, através do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda (BEm).   As empresas estipularam uma jornada 10 dias de trabalho interrupto, o restante dos 20 dias os motoristas ficariam em casa em regime de flexibilização do trabalho, enquanto durasse a crise da pandemia, mas as empresas não cumpriram o acordado do auxílio prometido.